terça-feira, 27 de março de 2012

Quem é voce?

Tenho percebido um acentuado aumento de visitas no blog e gostaria tando de estreitar o relacionamento com meus leitores, tanto quanto poder discutir os temas das postagens. Para tanto peço que postem comentários ou me enviem um email. jadirmg@yahoo.com.br.
Terei o maior prazer em conhecê-los.

Abraços

Jadir Mauro Galvão

segunda-feira, 26 de março de 2012

Planejamento!


Certa feita estava ministrando um curso de liderança e abordando a importância do planejamento, quando um dos participantes me interpelou com a pergunta: por que os planejamentos falham? Parecia ser uma daquelas perguntas típicas para derrubar o palestrante. Uma pergunta no intuito de suscitar polêmicas e controvérsias apenas para checar o peso do alforje do instrutor. Claro que o participante em questão já tinha em seu arsenal umas três ou quatro respostas consideradas por ele justas e para outras tantas refutações implacáveis, mas creio que ele não esperava por uma resposta tão avessa. Na época meu projeto de mestrado ainda estava em patamar embrionário, mas já tinha algumas convicções a respeito do previsível e do previsível.
Vale destacar que vivi cerca de 30 anos de minha vida em ambiente empresarial e em funções de planejamento. Fora o que seja talvez uma competência nata também tive a oportunidade de acertar e errar em inúmeras oportunidades de planejamento o que também me conferia uma experiência nada desprezível. Contudo minha resposta foi tanto direta quanto inesperada, dada o semblante do inquiridor ao ouvi-la: Minha resposta foi, ao que me recordo, algo parecido com isso: todo planejamentos está fadado a falhar! E quando acertam é meramente fruto de um golpe de sorte!
A polêmica se instaurou, pois talvez muitos dos participantes nutrissem a secreta esperança de que um curso ou outro a mais os tornariam infalíveis em seus planejamentos. Assim, ou o instrutor estaria redondamente errado ou cairia por terra uma grande porção de esperanças, tanto quanto um dos maiores motivadores para o participante estar exatamente ali sentado me ouvindo. A conseqüência dessa afirmação, se analisada ingenuamente, seria a de que não vale a pena investir em planejamento, uma vez que ele está fadado ao fracasso.
Caberia a mim agora lidar com o imbróglio no qual havia me metido. Mas minha resposta não era ingênua, senão fruto de uma longa experiência prática no assunto aliada justamente à minha pesquisa de mestrado. Ora, um planejamento é algo que visa antever um resultado futuro qualquer. Com a maior precisão possível, Com o menor empenho e custo possível. Com o menor dispêndio de recursos possível. Planejamento também envolve uma série de ações para se obter os resultados. Essas ações podem ser executadas por pessoas com mais ou menos prática ou talento para executá-las. Cercada ou não de métodos eficazes obtê-los. Com mais ou menos estratégias para lidar com contingências. Tudo isso com mais ou menos experiência em planejamento torna-se dado previsível. E persegue-se sempre o maior grau de maturidade na intenção de se antever o maior número de situações variáveis no intuito de prever tudo o que é passível de previsão. Contudo não há como prever se o indivíduo que irá executar uma das atividades mais preponderantes dentro do planejamento irá ter uma diarréia, ou se seu filho acabará tendo uma luxação no pé ou uma forte gripe ou mesmo se o marido da babá do seu filho sofrerá um acidente. Mesmo que se coloque certa margem de erro no planejamento 10, 15 ou 20%, ainda não temos como lidar com o inusitado, com o imponderável. Ele sempre irá assaltar todas as tentativas de previsão e é bom que assim seja!
Por outro lado, não cumprir o planejado soa sempre como fracasso punível com reprimendas ou até demissão. Têm-se que o fracasso no planejamento é sempre fruto de incompetência. Quer seja no planejamento ou na condução do processo e buscam-se os culpados para jogá-los ao rio feito bois de piranha. Errar em não prever ingenuamente eventos altamente previsíveis, de fato pode ser considerado um erro, mas uma coisa é versar sobre obviedade do fato depois de ocorrido outra é prevê-lo antes do acontecimento. É que ainda vigora a crença de que o imprevisível somente o é por ignorância ou incompetências. Nascemos e crescemos acreditando no plano, no modelo, no sucesso e sob a ameaça do fracasso. Contudo efetuar apenas o que foi planejado, seguir o modelo é apenas repetir o passado querendo obter algo novo. Insano! Analisar o erro pode levar um foco de luz para o novo. O Erro pode ser menos horrendo do que parece. O erro pode ser em algum momento o vislumbre do novo ou uma imprecisão do processo até então maquiada pelos esforços anteriores.
Por fim, planejamento é sempre um esforço no sentido de se precaver contra a incidência de fatores altamente previsíveis e reduzir ao máximo o erro na pontaria.
O alvo dá a direção da seta. A nitidez do centro do alvo te permite a precisão. Para se ganhar é necessário acertar o maior número de setas no alvo. Algumas ficaram próximas e te ajudarão a calibrar o arco. Exercitar, exercitar e exercitar. Só assim a maestria será alcançada e voce será um grande arqueiro! Ficar esperando o melhor arco, o melhor alvo e que não haja vento torna-o limitado em sua precisão. Aprender a lidar com fatores que voce não pode controlar, te dará a flexibilidade necessária para atingir uma andorinha em pleno vôo.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Transformações

Costuma-se dizer com certa freqüência de que não se deve esperar mudança nos resultados se continuamos a fazer as mesmas coisas. Insensato seria lançar qualquer tipo de objeção sobre essa máxima. Contudo muitos ainda que mudem suas ações continuam a obter os mesmos resultados, ou resultados diferentes, mas de mesma qualidade.
Diante disso, é preciso esclarecer que mudança de ação é muito diferente de transformação. A ação, em que pese sua grande importância de ordem prática não é mais do que uma fina camada exterior de um gigantesco “iceberg” interior. Interior esse ainda pouco explorado! São valores, crenças, capacidades ainda inexploradas ou até desconhecidas, opiniões sobre os valores dos outros, sobre as crenças dos outros, sobre a capacidade dos outros. Nossa visão peculiar do mundo. Um mundo particular composto por imagens, sons e sensações, muito mais frutos de um olhar maculado pelo medo. Passando nossa consciência em exame, percebemos que ainda que busquemos realizar tudo aquilo que queremos, empenhando para tal preciosos esforços é o medo o motor de nossas ações mais urgentes. Caminhamos com nossas ações na direção futura do que queremos, mas parece que aquilo que tememos vem sempre correndo em nossa direção, exigindo sempre maior urgência de nossa atenção e, claro, de nossas ações.
Não é menos verdadeiro que muitos dos nossos objetivos mais imediatos encerram, num primeiro ou num segundo momento, estratégias para se evitar o duro confronto com o medo. Contudo, o tempo, nosso grande mestre, cedo ou tarde nos revelará que essas estratégias são inúteis. Atingimos nossos objetivos e esses tinham, teoricamente, em seu pano de fundo todos os ingredientes necessários para nos apartar do medo. Retraçamos as estratégias varias vezes, perdemos até a consciência de qual era o medo que nos assolava, mas ele ainda está lá, emaranhado em um monte de planos para eliminá-lo.
É que ainda acreditamos com muita força que nossa inteligência foi feita para nos desvencilharmos dos problemas. E estaríamos cobertos de razão se também utilizássemos nossa percepção de modo mais apurado no intuito de descobrir exatamente “qual é o problema?” Precisamos passar em revista nossa visão de mundo, nossas crenças, o modo como vemos a vida, nós mesmos e as outras pessoas. Buscar diligentemente refinar nossas representações de modo a alinhá-las mais fielmente com a realidade. 
Fazemos chacota das crianças que têm medo de que exista algum mostro embaixo da cama ou dentro do armário, mas já estive em contato com muitos marmanjos ditos “normais” que temiam bichos-papões que eles mesmos haviam criado e alimentado a vida inteira. São medos, vergonhas ou coisas do tipo que discretamente exercem pressão em nossas escolhas. Nossos medos não são nossos inimigos, pelo contrário, cada qual está ai para orientar nosso caminho, para nos fazer ver o que anda errado conosco. É que o medo é menos resultado do iminente perigo que vem de fora do que de alguma fragilidade do que esta dentro, Sendo assim, é imperioso cuidar da fragilidade que esta dentro. O medo é do confronto não do que está fora, mas do que esta dentro.
É preciso criar o gosto por combater o bom combate. O combate que faz crescer e eliminar definitivamente a fragilidade. Vê-se com tudo isso que uma mera mudança de ação nos fará mudar os resultados, mas não terá força para transformar toda a estrutura interna que nos move  muito em função dos nossos medos e de nossas insatisfações.