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O Sonho! Resposta à um leitor!

Um leitor do blog mandou-me um e-mail com o seguinte teor:  Olá Jadir, desculpe, mas li seu blog e tomei a liberdade de escrever para o senhor. Meu nome é Ludwig Teixeira, tenho 27 anos e sou filósofo. Faço doutorado na Universidade [...] Porém, fato é que estou em uma encruzilhada, pois, não aguento mais passar trabalho e me sentir menor que muitos outros a custo de meu amor pela disciplina. Passo muito tempo estudando assuntos altamente abstratos para ter um retorno, a nível de qualidade de vida, muito pequeno. Nessa última semana estive pensando em jogar tudo para o alto e fazer um famoso 'concurso público'. Pensei: Veja só o que tenho estudado... teoria dos conjuntos, lógica de primeira ordem, filosofia da física quântica... se eu estudar para um concurso certamente encontrarei menor dificuldade e vou passar". Mas é muito triste jogar um sonho fora e, o que é pior, oito anos de sua vida fora. Assim, encarecidamente, peço-lhe algum conselho quanto a estratégia de vida ...

Homem e sociedade!

Abelhas, formigas e outros animais vivem em sociedade. Se entre alguns mamíferos nossa ciência constatou uma organização social que gira em torno do macho alfa a sociedade das abelhas tanto quanto a das formigas gira ao redor da rainha. Há pouca mobilidade de castas entre as sociedades animais, senão nenhuma. Entre os mamíferos qualquer macho pode desafiar o alfa e se assim for sucedê-lo. Ainda que existam diferenças de modelo entre sociedades animais o que não falta a nenhuma delas é a cooperação . A competição somente se dá na sucessão de poder, no restante é cooperação. Ai reside uma diferença muito básica entre a sociedade humana e a animal. Enquanto em sociedades animais as relações são naturais , na sociedade humana ela é cultural . Nossa cultura nos moldes atuais estimula a competição e tem como justificativa que a competição gera darwinianamente evolução. A meu ver isso é só justificativa ideológica. Hoje em dia é comum as empresas solicitarem aos seus headhunters profissiona...

Não basta ser competitivo! II

Ressaltamos no post anterior a importância de se cultivar a sensibilidade social, mas não explicamos como isso pode ser feito. Neste post ainda não falaremos o que pode ser feito, mas queremos observar dois cases do que NÃO deve ser feito. Dissemos também da importância da definição da visão, missão e valores. Muito bem, gostaríamos de expor sem dar nomes aos bois um caso que considero emblemático.   Cerca de uns dez anos atrás li a declaração de visão e missão de uma grande empresa. Estava escrita em relevo sobre grandes totens de grosso metal afixados no hall de todos os andares da empresa. Esteticamente eram lindos e imponentes. Grande trabalho de endomarketing. Contudo, o trabalho continha algumas ciladas. Se bem me recordo, na visão da empresa tinha algo como “... ser reconhecida como a melhor... ”. Eis ai uma profunda falta de sensibilidade social. Equivoco número um: Ora o que teria a capacidade de fazer um colaborador se empenhar para que sua empresa fosse reconhecida como...

Não basta ser competitivo! - I

Estamos vivendo uma época chamada de Nova era ou era de Aquário . Respira-se em todos os cantos ares esotéricos. Empresas buscando auxilio no Feng Shui, salas de descompressão com música new age, incenso, sons de fonte, tudo para adequar o clima! Por outro lado, nas conversas do cafezinho assuntos escatológicos: calendário Maia, terremotos, chuvas como nunca se viu e uma porção de outras coisas que dependendo de como se olha pode causar calafrios até nos mais céticos. Não é nosso intuito fazer quaisquer julgamentos, estamos apenas constatando o que está à nossa volta. O que vamos discutir nesse post é outra mudança alardeada na nova era: Revisão de valores e de postura e tomada de consciência! Por todos os lados somos solicitados a rever nossa postura perante a vida. Rever os valores que até então guiaram nossas mais freqüentes ações. Até nossa avaliação sobre nossos pares, gerentes, diretores, fornecedores, subordinados estão fadadas a transmutação. Embora a divisão do trabalho poss...

Sobre certo e errado!

Séculos de primazia da ciência nos conduziram a tornar um modo de ver o mundo, no modo correto de ver o mundo. De fato, não se pode questionar que o modo de ver o mundo pela ótica da ciência não seja correto. Todavia, também devemos lembrar que correto, verdadeiro, bem sucedido, fazem referência á uma expectativa. Não uma expectativa qualquer, mas uma expectativa específica, que busca fins específicos. Um fato não é correto ou não por si mesmo, mas somente mediante a uma expectativa. Um dado nunca é verdadeiro ou falso em si mesmo, mas sempre em relação á um conceito prévio. Tanto quanto uma ação é cercada de sucesso, na medida em que se tem um resultado pré-estabelecido e o esse gira em torno desse estabelecimento. Somente é verdadeira uma realidade quando esta se coaduna a um conceito prévio. Os séculos que precederam a ciência tornavam toda e qualquer previsibilidade uma heresia. Prever o que poderia ocorrer na natureza era quase o mesmo que prever a vontade de Deus. Inda hoje ...

Como pode atuar um filósofo numa empresa? I

Certamente esta não é uma dúvida típica de um empresário. Tampouco deve ser respondida por ele. Esta é uma daquelas questões que o próprio filósofo deve pensar e responder. Fácil, um filósofo dever ser genuinamente um pensador e a isso não deveria opor-lhe nenhuma dificuldade. Todavia creio que muitos são os filósofos que se acotovelam em concursos públicos, buscam uma vaga de docente, ou procuram escrever algo que possa render-lhe sustento prático, para que possa, então, liberar seus pensamentos das tolices diárias e concentrar-se em especulações filosóficas de maior valor! Com essa postura se acentua o abismo entre a vida cotidiana e a filosofia. De um lado, o dia a dia das pessoas comuns, atribulada pelas suas dificuldades diárias, suas angustias e mazelas, sem entender como alguém pode dedicar tanto tempo e esforço a leitura de livros poeirentos escritos por pessoas tão distantes de nossa realidade. De outro, os filósofos ocupados em especulações da mais alta importância e que re...

Eu tenho um sonho!

Martin Luter King deixou seu nome gravado na história quando diante de um público teve a coragem de dizer: “Eu tenho um sonho...”. Era o sonho de um líder visionário que queria transformar o mundo. Ele morreu... seu sonho não! Muitas vezes a burocracia nos assalta, nos reprime, tolhe a criatividade. Contudo precisamos enxergar que o que fazemos dentro de uma sala de aula repercute para além delas. Se nos sentimos vigiados, podemos com isso tolher nossas iniciativas ou escolher bravamente dizer o que temos dizer. Podemos fazer o que esperam de nós, ou escolher fazer o melhor independente do que, ou quem espera. Muitos em sua juventude alimentaram o sonho de transformar o mundo. Alguns desses sonhos morreram, alguns desses jovens morreram, alguns envelheceram e com eles seus sonhos. Muitos acreditaram que eram pequenos ante o tamanho do mundo e se apequenaram. Eu acredito que precisamos nos engrandecer! Somos lapidários! O lapidário não coloca o brilho nos diamantes apenas o faz aparec...