sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Entre o objetivo e o percurso!

No mundo dos negócios fala-se muito em projeto. Até em nossa vida pessoal usamos esse mesmo termo. Dizemos: projetos pessoais - para distinguir dos projetos que experimentamos dentro das empresas. A característica fundamental do projeto é que ele tem início, percurso e fim. Nada mais simples! Claro que o ponto fundamental do projeto é o fim. O projeto só existe por causa dele; é o fim que se busca; ele é o ponto de encontro de todos os esforços, é o que dá a direção para todos os envolvidos; é o que oferece o sentido de todas as ações a ele alinhadas. Olhando desse modo, o percurso é meramente a distância, quando não, o obstáculo que nos separa do fim. Dito de outro modo, ele é o preço a pagar para atingirmos o que queremos.
Para minimizar os efeitos do percurso – para encurtá-lo ou cumpri-lo no menor tempo possível -, usamos o nosso tão conhecido planejamento. Nele serão definidos os papéis, a divisão de tarefas, as atividades, e os - também muito conhecidos - check-points para verificar o andamento e os desvios de rota; os pontos de gargalo ou de risco. Estabelecemos todo um cronograma (Opa! Este também conhecemos!) de atividades e seccionamos o objetivos em metas. Agendamos reuniões de alinhamento e definimos estratégias de contingência. Conseguimos prever eventuais dificuldades e traçamos um plano de ação no intuito de contorná-los ou ao menos de minimizar seus impactos.
Ocorre que raras vezes teremos ao nosso dispor um time com a heterogeneidade de competências necessária para cumprir os específicos e diferenciados papeis estabelecidos. Pode ocorrer de termos ao nosso dispor excelentes planejadores que são mais morosos na execução. O próprio caráter de planejador já predispõe o indivíduo a uma agilidade para o pensamento, mas nem sempre para a ação. O complexo leque de capacidades do time pode não estar totalmente aprumado com as competências requeridas à consecução dos trabalhos. Isso certamente exigirá certa dose de esforço adicional, quando não, superação individual. Mas isso não é realmente ruim, somente é ruim se os envolvidos não estiverem dispostos a lidar com suas próprias limitações para ir além do já conhecido.
Outro ponto crítico é o embate de vaidades e de medos entre os membros da equipe. Ocorre, com freqüência, sobretudo quando se incentiva a competitividade entre colaboradores. Aquele com uma baixa auto-estima é capaz de “sabotar” os outros, na medida em que se vê em desvantagem na competição, quer seja por produtividade ou pelo crédito de algum acerto ou na eventual culpa por um erro. Em suma, quando o seu colaborador não se sente intimamente capaz vencer um determinado desafio, vai fazer com que ninguém o consiga, sabotando sistematicamente o processo.
Por outro lado é até benéfica alguma dificuldade no percurso. Se seu colaborador não for instigado a progredir, não for desafiado a superar seus limites, se não for orientado a ter objetivos próprios, vai perder a mobilidade, a dinâmica de crescimento e ficar estagnado dentro das paredes de sua própria competência, de sua zona de conforto, isso não lhe proporcionará nenhum aprendizado, nenhuma evolução. Mesmo as dificuldades entre os membros da equipe, podem funcionar como meio de ultrapassar as diferenças. Os conflitos, embora muitos os evitem, fazem parte da vida e nos exige transformação, mudança, superação, numa palavra: crescimento. Ao nos confrontar com as diferenças, sobretudo se não nos restar alternativa de fuga do conflito – o que ao meu modo de ver é ótimo –, os indivíduos em conflitos podem suportar um ao outro deixando armazenado, cada qual dentro de si mesmo, coisas do tipo: mágoa, rancor, ressentimento ou coisa que o valha. Ou simplesmente amadurecer com o processo. Ganhar maturidade em lidar com diferenças.
Esse tipo de crescimento só é possível quando o projeto atinge um nível crítico. Quando tudo está correndo dentro do planejado as diferenças desaparecem, mas a vida real não segue, ela não tem obrigação de seguir nosso planejamento. Não planejamos trânsito congestionado, chuvas torrenciais de verão, filho com febre, ou aquela comida que cai enviesada no estômago, muito embora sejam eventos totalmente previsíveis. E eles insistem em ocorrer mesmo não sendo bem-vindos no cronograma. Mesmo com tudo isso acontecendo os check-points não mudam de lugar dentro do planejamento, tampouco os prazos e as metas. Isso revela o quanto nosso planejamento é, em geral, pouco aderente a própria realidade. Revela também que os conflitos e as dificuldades, embora sejam inoportunas se temos em mente apenas o fim, são componentes naturais do percurso e deixam a maturidade, o crescimento e a evolução como legados preciosos.    
Nosso trabalho, os projetos que nos envolvemos são como que um microcosmo da vida. Mais do que somente uma metáfora é o que é realmente importante na própria vida. Os obstáculos, as dificuldades, as diferenças são o que há de mais natural e corriqueiro. E tudo isso tem um sentido profundo de ser como é. É que nossa postura habitual busca, quase sempre, evitar o conflito, contornar as dificuldades – sem resolvê-las – se esquivar do debates, isto é, burlar a ordem natural da vida. Mas isso não fomenta o crescimento. Não correria nenhum risco em afirmar que as relações mais fortes são aquelas que tiveram a oportunidade de passar pelas mais duras provas. Tanto quanto mais amadurecidos são aqueles que passaram pelos mais duros combates.
Isso nos leva a rever o que realmente é mais importante nos projetos: Será que o importante é o fim? Se voltarmos nossos olhos apenas para o fim, o percurso como sempre é, passa a ser sempre obstáculo. Se mudarmos nosso olhar para a vivacidade do percurso e o percebermos com um modo de aproveitar todas as oportunidades de crescimento que o mesmo pode proporcionar, o fim será recoberto de uma camada adicional de importância, mas o percurso assumirá seu devido posto de primeiro lugar em importância não apenas nos projetos, mas na vida como um todo.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Como voce lida com a competitividade?

 Competitividade é coisa séria! Nos esportes, tanto quanto no mundo corporativo esta é uma prática a que muitos recorrem. O cotidiano nos demonstra que determinadas posturas do esporte se replicam em outros vários ambientes. Vamos ao melhor estilo Lula fazer analogias com o futebol. Algumas pessoas usam do expediente de ficar agachado, reclamando daquela dor na perna fingindo contusão, escondidinhos no meio de campo, enquanto touceiras de grama estão saindo de sua defesa ante ao risco iminente de gol do adversário. Quando uma bola espirrada qualquer aparece no meio de campo, a dor na perna subitamente pára e num piquezinho aparece o gajo frente a frente com o goleiro adversário para marcar e se sentir o máximo. Quando isso ocorre contra um adversário é uma prática interessante. Mas no mundo corporativo a gente joga no mesmo time! Ao menos deveria ser assim! Enquanto o trabalho está comendo solto, tem gente se fingindo de morto, mas na hora de marcar o gol o camarada da um piquezinho e aparece na frente da área, que dizer do chefe, e mais rápido que o adversário, (ops!) quer dizer de seu companheiro de equipe e o põe a par de toda a situação, quer seja boa ou ruim, marca o gol e sai correndo ganhar os apupos da torcida.
           
Este tipo de procedimento é comum, tanto quanto os retranqueiros, os que fazem gols de mão, os que só dão de bico para fora, entre tantos outros estereótipos análogos e não queremos aqui apenas criticar estas posturas como sendo execráveis, embora o sejam. O problema é mais embaixo. Em verdade, ainda não sabemos lidar com a competitividade, melhor, não aprendemos a lidar com a derrota, com o erro, com o debate, com aquilo que não fazemos bem. Não temos maturidade emocional para lidar com certas situações, não temos confiança em nossa competência para dizer de modo claro: isso eu tenho competência para executar ou não, com a mesma tranqüilidade! A perspectiva de derrota nos amedronta. Estar errado tem sabor de três a zero para o adversário em plena final de campeonato. Esse tipo de sentimento na é privilégio de empregados subalternos. Pelo contrário! Conheci gerentes e até diretores de grandes empresas que eram sistematicamente assaltados por esse medo doentio de que algo não desse certo, como se estivesse em jogo a extinção da raça humana. Ou pior, o emprego dele! Não aprendemos a lidar com inseguranças, medos ou preocupações e colocamos em prática, atitudes que não gostaríamos que contassem aos nossos filhos, ou transformamos isso em algum tipo de esperteza que se torna ganho competitivo, justificando que qualquer um agiria assim como voce nas mesmas circunstâncias, sendo taxado de bobo aquele que assim não o fizer.
            Verdadeiro é que grande parte das vezes agimos mal apenas para consertar situações que poderiam perfeitamente ser evitadas se estivéssemos um pouco mais conscientes em nossa atividade diária e nos livrássemos de determinados monstros que nós mesmos criamos. A maior parte do tempo, corremos como se estivéssemos fugindo de nós mesmos, corremos, corremos e tudo se torna urgente sem o menor sentido para que o seja. Em outros momentos ficamos lerdos e desleixados de nós mesmos, sem dedicar o zelo que seria necessário.  O fato é que quase sempre o fazemos sem consciência, atendendo mais a demandas externas ditadas pelas circunstâncias e menos a nossa demanda interna de opção consciente e com um propósito específico traçado de modo autônomo. Vemos-nos correndo, como cachorro, atrás do próprio rabo, sem saber o que fazer e as demandas externas se sucedem sem sentido nem motivo, absorvendo nossas ações e drenando nossa paz. Devemos ter, de modo consciente, claramente do que somos capazes e sistematicamente agir no sentido de superar nossos limites, sobretudo aqueles que nos amedrontam, pois só assim poderemos crescer. De nada adianta ficar só na banheira aguardando a bola no pé.   Devemos nos apropriar de nosso progresso e não aguardar que alguém nos dê ordem para que tal aconteça. O medo, a raiva e a preocupação somente nos assaltam quando estamos fora do controle. Quando já deveríamos estar no comando e não estamos. No comando de nossas emoções. Tudo bem, voce ainda não sabe como fazer isso.  Ninguém nasceu sabendo, mas já é hora de aprender.