quinta-feira, 17 de março de 2011

O Sonho! Resposta à um leitor!

Um leitor do blog mandou-me um e-mail com o seguinte teor: 

Olá Jadir,
desculpe, mas li seu blog e tomei a liberdade de escrever para o senhor. Meu nome é Ludwig Teixeira, tenho 27 anos e sou filósofo. Faço doutorado na Universidade [...] Porém, fato é que estou em uma encruzilhada, pois, não aguento mais passar trabalho e me sentir menor que muitos outros a custo de meu amor pela disciplina. Passo muito tempo estudando assuntos altamente abstratos para ter um retorno, a nível de qualidade de vida, muito pequeno. Nessa última semana estive pensando em jogar tudo para o alto e fazer um famoso 'concurso público'. Pensei: Veja só o que tenho estudado... teoria dos conjuntos, lógica de primeira ordem, filosofia da física quântica... se eu estudar para um concurso certamente encontrarei menor dificuldade e vou passar".
Mas é muito triste jogar um sonho fora e, o que é pior, oito anos de sua vida fora. Assim, encarecidamente, peço-lhe algum conselho quanto a estratégia de vida profissional. O que faria você no meu lugar?

Espero que o senhor tenha tempo para responder.

Att

Ludwig

(Claro que o nome dele não é Ludwig e a postagem foi autorizada por ele) 

Minha resposta:

Oi Ludwig,
Recomendo ambos. Por nada menos do que voce me perguntou. Os blogs são frutos de sonho. Não dão resultado prático algum. Mas em ambos tenho visitas recorrentes de vários pontos do Brasil e de muitos outros pontos do mundo inteiro.
Nos vivemos em uma sociedade que preconiza o sucesso e não percebe que sucesso é somente repetição do passado sem novidade. Ja ouvi dizerem que as empresas estão preferindo profissionais criativos. Os meus 33 anos trabalhando em empresas me dizem que isso em geral é balela. As empresas querem profissionais que usem a criatividade para resolver problemas antigos e recorrentes. Usem a criatividade para termos maior lucratividade e redução de custos. Estão pouco se lixando para a criatividade mesmo.

As faculdades, pelo que sei querem professores que se dediquem e que nenhum aluno se queixe de suas aulas, notas, e provas.

Não é bem por ai também.

Temos duas vias claras a escolher e uma obscura: a primeira é prática. estudar o que querem que voce estude e fazer o que te mandam e ganhar o que te pagam e ficar de boca fechada. Claro, isso não te dá barato. Voce acaba por viver a vida dos outros.

A segunda é o concurso público. Não sou totalmente contra essa alternativa, embora ao longo da minha vida tenha sentido enorme repulsa, hoje ja vejo com outros olhos, mas o mais importante que eu tenho a te dizer é que voce foi “fisgado pelo sistema”. Voce se queixou da qualidade de vida e esta buscando alternativas dentro do jogo para fugir do que ele tem de ruim. Concurso público, visto desse modo, é mero esconderijo.

Essas duas coisas voce deixou claro, mas embora tenha falado com pesar de abandonar o sonho não deixou claro que sonho era?!?.

Esse é o caminho obscuro. Perseguir seu sonho pode não te trazer sucesso, tampouco dinheiro, Muito menos o reconhecimento será certo, mas se voce mata seu sonho voce morre junto com ele. Transforma-se nisso que voce vem execrando. Voce se transforma em competitivo e vive o sonho dos outros.

Podemos ser competitivos durante vários anos de nossa vida. A juventude nos confere garra disposição, força de trabalho. Voce ganha, dinheiro, sucesso reconhecimento, fica por cima. Quando os anos chegam voce percebe duas coisas: que não é mais tão competitivo e te resta a trapaça para ganhar (uma quantidade enorme de pessoas usam esse método), e que abandonou a única coisa que valia o esforço para competir: o sonho!

Eu trabalhei 33 anos dentro de grandes empresas. Tive sucesso, ganhei dinheiro, e deixei tudo isso por um sonho. Fui fazer graduação em filosofia aos 43 anos. Estou terminando o mestrado agora com 48. Certamente vou para o doutorado, mas embora tenha sido seduzido a estudar inúmeros outros autores. Fiz questão de abordar em minha dissertação algo que pudesse mudar o mundo, algo que me dá profundo gosto de estudar.

Sei que vou ter muito trabalho pela frente mas como estou em "começo de carreira"  tenho bastante garra para levar todas as pancadas que sei que vou tomar.

O blog do fraternalismo é um tiro no meu próprio pé. Sei que se meu nome ficar ligado a esses pensamentos não arrumo trabalho em lugar algum. É o preço a pagar por meus sonhos.

Crescemos todo o tempo vendo todos ao nosso redor fazendo de tudo para vencer, para ficar bem, ter bem estar e acreditamos que a vida é isso.
Quando acontece um desastre, uma doença, um desemprego somos levados a acreditar que foi azar ou incompetência nossa.

Errado. A vida é assim, é dura! Mas ela só é assim pois a dureza é nosso melhor professor. Temos a escolha de nos deixar endurecidos ou não. Se nossos sonhos esmorecem ante a dureza eram apenas sonhos, brincadeiras. Se nos cobrem de raiva, de força, mas também de esperança então o sonho te abençoa com a realização, pode não te trazer dinheiro, fama ou sucesso, mas vai dar profundo sentido para a sua vida.

Pelo pouco tempo que tenho dentro do campo da filosofia. Vejo alguns tipos de filósofos. Os práticos. Que têm na filosofia seu ganha pão e só isso. Ganhem bem ou não. Os Desiludidos (esses são os piores) tipo os ressentidos de Nietzsche. Estufam o peito e se dizem ateus convictos, mas apenas por saberem que estavam na "caverna" e viram que tudo não passava de uma farsa. Voltam para a caverna e cospem por todos os lados. Desdenhando de tudo e de todos tapam a porta da caverrna para que ninguém saiba onde é a saida.  

E os como eu que vêem na filosofia um instrumento profundo de mudanças. Que as mudanças que os filosofos promoveram no mundo tenham em geral ocorrido sempre após sua morte é desalentador, mas eu tenho a sorte de ter em mãos também a Programação neurolinguistica que é uma ferramenta bastante prática de mudança.

Minha tarefa é bastante cruel e certamente não espero reconhecimento, pelo contrário, acho até estranho ter tantos amigos e poucos desafetos. Eu sou aquele cara que vai apontar as coisas erradas, que vai revelar as hipocrisias. Que vai mostrar a meia furada,  o terno rasgado. A etiqueta chinesa da gravata de sêda.

Mas meu trabalho não é so mostrar o erro, mas apontar a direção.

Pode ser desalentador olhar ao redor e ver uma profunda crueldade, mas essa crueldade é fruto da ação de pessoas que mataram seus sonhos e por isso mesmo já morreram.

Meu trabalho é ressucitar pessoas através da ressureição de seus próprios sonhos.

Desculpe, se voce queria de mim uma dica ou um truque sobre como vencer na vida e ter uma carreira de sucesso, deve estar profundamente frustrado.

Mas eu fiz meu trabaho. Se um dia em sua vida seu sonho falar baixinho dentro de seu peito amargurado. Voce não vai poder alegar que não sabia que estava matando seu sonho.

O sonho faz voce viver apaxonado.

Já tive sua idade e hoje tenho quase o dobro dela, se uma virtude eu tenho foi a de não me deixar sufocar meu sonho.

Passo nesse momento por dificuldades extremas, mas não abro mão de amar, e de estar profundamente apaixonado pela vida.

Por favor

gostaria de seus comentários tanto por e-mail quanto no blog.

Grande abraço.

Jadir

quarta-feira, 9 de março de 2011

Homem e sociedade!

Abelhas, formigas e outros animais vivem em sociedade. Se entre alguns mamíferos nossa ciência constatou uma organização social que gira em torno do macho alfa a sociedade das abelhas tanto quanto a das formigas gira ao redor da rainha. Há pouca mobilidade de castas entre as sociedades animais, senão nenhuma. Entre os mamíferos qualquer macho pode desafiar o alfa e se assim for sucedê-lo. Ainda que existam diferenças de modelo entre sociedades animais o que não falta a nenhuma delas é a cooperação. A competição somente se dá na sucessão de poder, no restante é cooperação. Ai reside uma diferença muito básica entre a sociedade humana e a animal. Enquanto em sociedades animais as relações são naturais, na sociedade humana ela é cultural. Nossa cultura nos moldes atuais estimula a competição e tem como justificativa que a competição gera darwinianamente evolução. A meu ver isso é só justificativa ideológica. Hoje em dia é comum as empresas solicitarem aos seus headhunters profissionais criativos. No fundo isso é uma balela. O que as empresas querem realmente são pessoas que saibam usar da criatividade para resolver os mesmos problemas antigos. E convenhamos criatividade, se bem utilizada é para propor novidade e não modos de resolver problemas antigos. A competição gera para empresas profissionais ´adaptados´ ao mundo corporativo. 

Pessoas que sabem adaptar-se ao jogo do mundo corporativo. Honestamente, pessoas realmente criativas não são bem vindas. Elas vão propor mudanças no jogo, mudanças evolutivas, mas talvez não competitivas. Mudança evolutiva na maior parte das vezes exigirá investimento, mudanças de postura, mudanças no jogo do poder e isso é ruína para quem está no poder. Mudanças evolutivas, nem sempre são num primeiro instante lucrativas embora possam produzir grandes benefícios para a sociedade podem não produzir para o empresário. Ao menos não ao empresário que visa o lucro e não o objetivo social. Toda empresa, em tese, deveria cumprir um papel social. Cooperar para o beneficio da sociedade, mas nossa cultura fomenta a competição e o lucro. A vantagem competitiva. O problema é que nessa cultura o sucesso é feito de vitória e a vitória pressupõe derrotados, todos os outros. Uma hora ou outra você será o derrotado. Estão todos buscando a vitória e o sucesso, mas esse jogo necessita de fracassados em maior número, para que poucos vençam. Não faz o menor sentido, ao menos para esse jogo, que todos vençam!

Por outro lado sabemos que isso não é natural, mas cultural. E cultura é forjada pelo próprio ser humano. Quanto mais cedo as empresas descobrirem o jogo da cooperação, menor será o risco de ser derrotada. Na cooperação não há derrotados. Na cooperação todos saem ganhando. Isso pode ser difícil de aceitar para quem está ganhando ou quem esta quase chegando lá, mas o fracasso é inevitável, é matemático. Enquanto só você e alguns poucos pagos por você estão lutando pela sua vitória, pelo seu sucesso. Todos os outros estão lutando pelo seu fracasso. Isto é pelo seu próprio sucesso pessoal que pressupõe fracasso do outro (e este é você).
E olhe que nem sempre sucesso significa sucesso mesmo. Vejam a situação da história recente dos Estados Unidos: Vários banqueiros lucraram horrores com a inadimplência nas hipotecas. Embolsaram tudo o que havia sido pago pelos hipotecados e ainda se tornaram donos de uma porção de casas. Bairros inteiros! E uma porção de gente morando em barracas de camping, sem trabalho, sem como pagar suas hipotecas. Todavia, os vitoriosos ficaram com um baita mico na mão. Um monte de imóveis e ninguém que pudesse pagar por eles. Claro que essa visão precisaria ser analisada em maiores detalhes que não cabem num pequeno post, mas o mundo todo perdeu horrores, por conta de uns poucos vitoriosos que nem puderam gozar de sua própria vitoria. Grosso modo a crise recente dos Estados Unidos aconteceu desse modo.
Por outro lado observamos à todo instante iniciativas sociais que fomentam, as cooperativas em pequenas comunidades e essas comunidades prosperam. Todos juntos!

O objetivo final desse post é só lançar uma ideia que nem é nova. Não é responder nada, mas de deixar uma pergunta no ar: Estamos satisfeitos com o estilo de sociedade forjada por nossa cultura? A sorte é que se trata de cultura e se a resposta for negativa podemos começar o processo de transformação de nossa cultura, assim que nos dermos conta do que queremos para nós. Para tanto precisamos ver o que queremos: competição ou cooperação?   

terça-feira, 8 de março de 2011

Não basta ser competitivo! II

Ressaltamos no post anterior a importância de se cultivar a sensibilidade social, mas não explicamos como isso pode ser feito. Neste post ainda não falaremos o que pode ser feito, mas queremos observar dois cases do que NÃO deve ser feito.

Dissemos também da importância da definição da visão, missão e valores. Muito bem, gostaríamos de expor sem dar nomes aos bois um caso que considero emblemático.  Cerca de uns dez anos atrás li a declaração de visão e missão de uma grande empresa. Estava escrita em relevo sobre grandes totens de grosso metal afixados no hall de todos os andares da empresa. Esteticamente eram lindos e imponentes. Grande trabalho de endomarketing. Contudo, o trabalho continha algumas ciladas. Se bem me recordo, na visão da empresa tinha algo como “...ser reconhecida como a melhor...”. Eis ai uma profunda falta de sensibilidade social. Equivoco número um: Ora o que teria a capacidade de fazer um colaborador se empenhar para que sua empresa fosse reconhecida como a melhor? Vamos mudar de panorama para ficar mais didático. Imagine que eu sou gerente e diga para minha equipe que tenho por objetivo ser reconhecido como o melhor gerente da empresa. O que faria você se empenhar nessa empreitada? Caso eu de fato seja um gerente bastante humano, sensível você fará isso naturalmente, caso contrário só fará se for bastante bem remunerado. Equivoco numero dois: quando você coloca em seu objetivo “ser reconhecido” você automaticamente retira de suas próprias mãos o sucesso de sua missão. O reconhecimento sempre vem do outro. A evidência de que você atingiu seu objetivo deve contemplar as idiossincrasias de todos os que tem em mãos o desejado reconhecimento. Pronto, você deverá necessariamente dividir sua atividade em ser o melhor e em buscar o reconhecimento. Enquanto estiver dedicando-se a ser o melhor não estará buscando reconhecimento e, por outro lado, se estiver dedicando seu tempo em ganhar o reconhecimento pode estar diminuindo seu esforço em ser o melhor. De qualquer modo você estará dividido e nunca saberá com quais critérios será avaliado.
Ao ler esse texto conclui que essa empresa não teria mais de dez anos de vida. Dei dez anos, pois era uma grande empresa filha dileta de outras empresas também grandes. Dito e feito. Hoje ela ainda existe, mas não passa de um mero apêndice de um de seus genitores sem o mesmo brilho vaidoso de outrora.
De prático o que ocorria nessa empresa, embora quase nenhum colaborador soubesse conscientemente o que estava escrito nos totens, é que todos os colaboradores buscavam em suas atividades o tempo todo ser melhor que o outro e ganhar reconhecimento de todos. A grande busca de cada uma das pessoas era sempre fruto internalização do egoísmo institucionalizado. Cada um por seu turno trazia em suas ações diárias a busca incessante e inquietante por ser reconhecido como o melhor.  

O segundo case que gostaria de trazer ocorreu em outra empresa. Uma quantidade considerável de profissionais estava já há cerca de seis meses, trabalhando quase todos os finais de semana para conseguir atender à implantação de um grande cliente. Internamente sabia-se que algumas pessoas estavam passando por sérios problemas de relacionamento afetivo, devido a distância do convívio familiar que o esforço adicional exigia de.
Sabia-se também que a relação entre a empresa e o cliente era bastante delicada e o risco de que todo esforço fosse em vão era latente. O que aumentava sobremodo o nível de estresse. Reuniões para descobrir os culpados eram frequentes. Nem seria preciso mencionar que os objetivos pessoais da maioria dos colaboradores tinham sido postergados ou, no mínimo, passados para segundo plano.

Num determinado dia qualquer o “presidente da empresa” convoca a todos para um comunicado. Todos os colaboradores envolvidos no projeto iriam parar suas atividades para ouvir ao pronunciamento do presidente. Ao seu lado um dos representantes do tal cliente: O suspense paira no ar: o que será anunciado?

De dentro de uma bela caixinha o presidente retira um pequeno cartão plástico, fruto de uma das simulações do projeto. E diz que aquilo era o resultado de tanto esforço e empenho dos colaboradores. O que o presidente apontava era para um sucesso! Simulado, mas um sucesso! Sabia-se que muito fora “mascarado” para se atingir esse sucesso e que o resultado final ainda estava longe. Mas esse não é o caso. O nosso personagem em questão colocou no pequeno pedaço de plástico de mentirinha o ícone do sucesso.

O que ficou patente no semblante das pessoas naquele instante foi que o hercúleo esforço que tanto custara às famílias e a saúde dos colaboradores resumia-se a apenas um pequeno pedaço de plástico de mentirinha. Não se pensou, ou ao menos não se disse que por trás daquele plástico havia uma promessa de estabilidade para os próximos anos. Que tudo aquilo representava uma oportunidade de crescimento profissional que seria futuramente recompensada ou qualquer outra coisa mais nobre.

O que ficou claro é que todo o esforço resumiu-se a um plástico sem valor algum! Resumo da ópera: baixou ainda mais o moral da equipe, muitos como eu foram buscar novos “desafios” se é que me entendem.

Digo novamente. Não basta ser competitivo. É preciso ter sensibilidade social!   

Jadir Mauro Galvão

Não basta ser competitivo! - I

Estamos vivendo uma época chamada de Nova era ou era de Aquário. Respira-se em todos os cantos ares esotéricos. Empresas buscando auxilio no Feng Shui, salas de descompressão com música new age, incenso, sons de fonte, tudo para adequar o clima!
Por outro lado, nas conversas do cafezinho assuntos escatológicos: calendário Maia, terremotos, chuvas como nunca se viu e uma porção de outras coisas que dependendo de como se olha pode causar calafrios até nos mais céticos. Não é nosso intuito fazer quaisquer julgamentos, estamos apenas constatando o que está à nossa volta. O que vamos discutir nesse post é outra mudança alardeada na nova era: Revisão de valores e de postura e tomada de consciência!

Por todos os lados somos solicitados a rever nossa postura perante a vida. Rever os valores que até então guiaram nossas mais freqüentes ações. Até nossa avaliação sobre nossos pares, gerentes, diretores, fornecedores, subordinados estão fadadas a transmutação. Embora a divisão do trabalho possa, em geral, nos retirar a visão do todo de nossa atividade produtiva, o profissional sabe, senão racionalmente ao menos intuitivamente, qual o valor do seu trabalho para a sociedade. É patente a dificuldade de motivação em trabalhadores de empresas que tem seu negócio girando em torno do dinheiro, como bancos, cartões de crédito e congêneres. Essa falta de motivação deve-se, à seguinte questão formulada mesmo que de modo inconsciente por cada colaborador: Qual o valor que meu trabalho agrega à sociedade? Podemos utilizar de modo bastante criativo nossa imaginação para dar as mais inusitadas respostas para essa pergunta, mas a rigor não há uma resposta sequer capaz de motivar um colaborador a doar-se senão pela sua remuneração. Encontrado o primeiro ponto crítico!

O segundo ponto crítico e que atinge não somente uma fatia de empresas, mas todas elas, é seu papel social. Toda empresa precisa ter por escrito o seu objetivo social. Virou moda para muitas empresas definir visão, missão da empresa, valores, mas honestamente o que vemos é algo bastante incipiente. Tendo muito conhecimento e mesmo paixão sobre o assunto, confesso que apenas uma única empresa fez um trabalho digno de nota. O restante não passava ou de apensa palavras postas em seus meios de comunicação, ou muito pior, faziam emergir condutas desprezíveis por conta de uma missão tanto mal definida tanto quanto mal redigida.

Fato é que não é nem um pouco comum uma empresa ter consciência de seu papel social. Ante à menor crise, ainda hoje tem-se por solução a redução de pessoal. Sem qualquer tipo de critério efetivamente social. Que se leve em consideração vez por outra se o dispensado tem família ou outros critérios muito mais subjetivos. O que conta mesmo é que nessas horas surge a oportunidade de nos livrarmos de desafetos, a oportunidade de justificar um erro administrativo cortando a cabeça de alguém que cometeu um erro. Que se diga que essa conduta é mais fruto de indivíduos que dada sua particularidade não representam efetivamente a empresa, seria até justificável, não fosse esse tipo de conduta ser mais regra do que exceção.

O ponto crítico central é que não se leva, no mais das vezes, em consideração o papel social de uma empresa. E isso se deve ao fato de que efetivamente não se sabe fazer isso. Nunca se soube e nunca houve o interesse nisso. Ocorre que agora numa sociedade conectada cada qual dessas ações reverbera para além das paredes do escritório. Redes sociais trazem a público todo tipo de mazelas e ainda não sabemos que resultados irão proporcionar. Determinados tipos de conduta podem decretar os rumos de um produto ou de uma empresa como nunca antes ocorreu. Não se trata somente de zelar para que as besteiras venham a tona ou ficar de olho nas redes sociais para ver o que estão dizendo. Trata-se de repensar nossa postura, nossa conduta frente às situações.  A tomada de consciência vai ganhar espaço e não mais bastará ser competitiva. Será preciso ter sensibilidade social. Não estamos falando de cultuar uma imagem perante a sociedade, mas ter mais sensibilidade e responsabilidade. Determinadas condutas antes contemporizadas pelo corporativismo e que eram verdadeiras chagas encobertas. Mais cedo ou mais tarde virão à tona.

O que fazer?

Dedicaremos os próximos post’s exatamente a responder essa pergunta.

Jadir Mauro Galvão