quinta-feira, 19 de março de 2009

Senso de competência

Acontece amiúde em nossas vidas de termos sob nossa responsabilidade uma quantidade de tarefas a serem cumpridas e acreditamos não sermos capazes de realizá-las ou pelo menos não no tempo que nos resta a cumpri-las. Ora. Neste caso a questão, passa a ser aritmética. Consideremos o seguinte problema: uma mulher leva em média 9 meses para ter um bebê. Se destacarmos para este serviço três mulheres, teremos logicamente o triplo de bebês no mesmo tempo, ou teremos 1 em um terço do tempo, ou seja, cada três meses, certo? Errado! A questão aqui não é aritmética, nem tampouco lógica. E nem sequer podemos considerar a competência de qualquer uma das mulheres que participara no processo. Podemos ter um processo seletivo bastante rigoroso e, contudo, o objetivo não será alcançado. O ponto aqui em questão reza que, algumas tarefas têm seu tempo de gestação, maturação e execução. E mesmo que o cronograma nos espezinhe diariamente, no final este será sobrepujado pela dura realidade. O que é mais real, o possível ou o impossível? Ok! Sabemos que poucos de nós conhecem, de fato, seus verdadeiros limites e é nossa tarefa, enquanto líderes, desafiar cotidianamente esses limites para que nossos liderados possam ultrapassar a barreira da superação e enxergar dentro de si algo que ainda não havia desabrochado, mas até ai, vez por outra, cometemos o grande pecado da insensatez e exigimos que três mulheres façam três filhos em três meses. Ora, isto é inexeqüível, convenhamos! Contudo, o líder não é isento de falhas (costuma-se dizer que herrar é umano (SIC)), então o importante é buscar que nossa equipe tenha, bem desenvolvido, um bom senso de competência. Ora, o que é isso? Não, não é a mesma coisa que competência, é senso de competência. Competência é quando nos sentimos aptos a executar determinada tarefa, por já estar devidamente preparado, quer seja por já tê-la executado anteriormente ou porque esta se apresenta sem dificuldades aparentes. Senso de competência é quando sabemos, temos uma boa noção sobre o que somos capazes de fazer e, sobretudo, do que “não” somos capazes de fazer e encaramos com total tranqüilidade ambos. Se nos é apresentado uma tarefa absolutamente inexeqüível, ou se é uma tarefa com a qual não temos lastro de experiência anterior no intuito de mensurar se é ou não factível sua execução no tempo previsto, podemos nos postar ante a ela com a tranqüilidade do senso de competência ou escolher uma atitude de total desespero dissimulado! Ter senso de competência é conseguir manter a mesma tranqüilidade da certeza (não é se manter ou recuperar o controle e sim não se permitir abalar) de nossa competência tanto quanto de nossa incompetência. Lembro-me de quanto eu sofria na escola, nas aulas de desenho, pois não conseguia executar os desenhos, fazendo algo que ficasse dentro de alguma coisa aceitável e quando comparado a outros trabalhos, de outras crianças o desespero era completo. Hoje, não! Anda continuo absolutamente incapaz de desenhar até o famoso “patinho com o dois” e, no entanto, isto não tem a capacidade de me abalar. Claro que temos de considerar que a experiência nos confere a tranqüilidade da maturidade, contudo, o senso de competência não advém da maturidade, senão de certa postura madura perante a vida e que pode nascer em qualquer idade e que não se aprende em nenhuma escola tradicional. A PNL nos traz este aprendizado, mas não é prerrogativa exclusiva dela. O famoso stress não é nada mais do que falta de senso de competência. Observe o stress a partir desta noção e veja: tudo o que nos gera stress é por não nos sentirmos capazes de executar algo, ou pelo menos não no tempo que nos resta! Agora vamos terminar deixando o leitor com a cabeça em uma pergunta que pode ser esclarecedora: você tem uma tarefa com lá seu grau de complexidade e/ou um tempo exíguo para cumpri-la. Será mais possível executá-la se mantivermos a tranqüilidade ou se nos deixarmos contaminar pelo desespero do stress?

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