sexta-feira, 5 de maio de 2017

Crise! Que tal buscarmos uma saída juntos?

(Por Jadir Mauro Galvão)


Crise! Que tal buscarmos uma saída juntos?

Não é novidade, ao menos para quatorze milhões de desempregados no Brasil, que estamos em crise. Mas essa crise parece ter características bem peculiares. Não parece ser fruto de um fator externo ou outro, de uma sazonalidade ou de fenômenos alheios a vontade dos governantes e empresários. Não é de escândalos de corrupção que estamos falando. Falamos de uma crise que parece emergir do próprio modelo econômico vigente. Modelo que parece preferir a escassez à abundância. Que prefere apostar na competitividade da mão de obra porque reduz o preço. Que prefere comprar a empresa concorrente, (e mandar seus empregados embora) a competir com ela com produtos melhores. Que prefere a disposição do jovem à experiência dos mais velhos. Que prefere a tecnologia à falibilidade humana. Questão de escolha. Produtividade, preço, custo… Não é exatamente culpa das empresas. Elas buscam seus valores. O problema é que tudo isso provoca o esgotamento do modelo de emprego e ainda não resolvemos o que fazer com o desempregado. Não adianta auxilá-lo até que arrume outro emprego. Não vai haver demanda para todo esse contingente de desempregados. E não é porque voce está empregado agora que não precisa pensar na crise. Cedo ou tarde ela vai bater à sua porta. Parece inexorável. Precisamos buscar uma saída e não adianta ficar esperando que o governo ou as próprias empresas o façam. Algumas pessoas conseguem protelar os efeitos com minguadas alternativas de microempreendimentos individuais, UBER ou coisa que o valha, mas isso parece que é só empurrar o problema para mais adiante.

Por outro lado hoje temos muito mais riquezas, recursos, informações e meios de comunicação do que em qualquer época. Voce tem, nós temos riquezas que desconhecemos. Temos conhecimentos e não aprendemos como usá-lo ao nosso favor; temos capacidades e a maior parte delas não está em uso; temos algumas ferramentas, mas não todas de que precisamos; temos conexões, e não sabemos o que fazer com elas; temos estratégias e muitas já não funcionam no contexto atual; temos uma visão da crise, mas não uma compreensão profunda dela; temos Ideias e precisamos de ajuda para colocá-las em prática; temos capacidade crítica e usamos mais para destruir do que para criar. E está tudo aí, disponível e com tempo de sobra. Falta apenas organizar isso tudo, mas como?

Foram os gestores das empresas que melhor organizaram esses recursos humanos, ou melhor riquezas. E o fizeram bastante bem, criando produtos, projetos, metodologias, departamentos, organizações, métricas… o problema é que toda essa organização serviu para finalidades pouco nobres. Para fazer crescer as iniciativas privadas com fins lucrativos. Muitos suaram seus macacões e paletós para o benefício de poucos. E foram pagos na menor conta possível para isso. Não se trata agora de nos organizarmos nas mesmas iniciativas privadas, mas nos cabe, de partida, redefinir os propósitos. Redefinir a própria ideia de empreender. E se nos organizássemos em uma: Iniciativa colaborativa com a finalidade de criação de valor compartilhado?

Sim, nossa iniciativa vem exatamente nessa direção. Somos uma iniciativa colaborativa com o propósito de criar cenários de abundância e que possam ser compartilhados por muitos. Para atingir tal propósito é necessário o empoderamento de pessoas de modo a que elas possam se emancipar do modelo de escassez vigente, ganhando autonomia para propor e criar coletivamente um futuro a partir de cenários de abundância e cooperação pautados pela criatividade, colaboração e pelo engajamento.

Mas o que entendemos por empoderamento? Conhecimento: diverso, atualizado, autônomo, dinâmico; Ferramentas: múltiplas, flexíveis e práticas de uso; Discernimento: Percepção apurada, conhecimento verdadeiro, atenção, cuidado, acuidade, (Remédio contra a alienação); Estratégia: alternativas. Mas já temos tudo isso disponível, só que está fragmentado e escondido dentro de cada um de nós em cada casa, em cada quarto. Então o que nos falta agora é somente união. Mas diferente da estratégia das empresas que fomentam a competição, precisamos de colaboração, transferência de conhecimentos; precisamos não dividir tarefas, mas somar competências existentes e adicionar novas. Só por aí já se vê uma mudança na equação.

A tal Nova Economia nos trouxe a ideia de cadeia de valor. Como proporcionar não apenas produtos, mas valores intangíveis como conhecimentos, experiências, histórias, cultura... A proposta é termos um grupo heterogêneo que utilize seus conhecimentos, talentos, ferramentas e ideias para criar projetos e iniciativas de valor. Fazer uso da capacidade de planejamento e organização do próprio grupo para criar produtos. Aproveitar a rede de conexões para a divulgação dos produtos em eventos para proporcionar valores tangíveis, intangíveis e até financeiros, que possam ser partilhados por todos os envolvidos gerando até um excedente para investimento em outros projetos ou até para ampliar a rede de abrangência do grupo, criando uma cultura de reciprocidade.

Pois bem, essa iniciativa já existe e está em curso. Ainda dando seus primeiros passos, ainda tropeçando em algumas dificuldades pontuais típicas dos inícios, típicas da inovação. Mas com projetos, ideias de valor e, sobretudo, pessoas engajadas. E voce pode fazer parte disso tudo. Assim, podemos, juntos, criar alternativas para superar a crise de emprego e até construir um novo e melhor modelo de economia de abundância.Se ainda não temos todas as riquezas de que necessitamos, talvez ela esteja aí de bobeira dentro de voce, clamando para ser utilizada.

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