sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Competição e cooperação

(Por Jadir Mauro Galvão)

O mundo corporativo em geral trabalha no paradigma da competição. Empresas competindo umas com as outras pela liderança do mercado. Equipes competindo entre si pelo reconhecimento da empresa e colaboradores competindo por um tapinha nas costas ou uma eventual promoção. Existe uma crença de que a competição fomenta o progresso de todos. De fato, muitas pessoas vão em busca de se especializar e, com isso, estar preparado para competir em melhores condições caso apareça uma vaga atraente em outra empresa, ou uma promoção na mesma. Contudo, na prática, não é esse o efeito que vemos se instaurar. É da natureza da competição que poucos ganhem e a maioria perca. Também é comum que os perdedores se virem todos contra quem venceu, no intuito de superá-lo. Outra regra básica é a de que é muito mais fácil fazer com que todos percam se um ou outro não se sentir com possibilidades de vitória. Com frequencia vemos pessoas torcendo para que o projeto de errado e apenas se cercando para não se tornar o culpado pelo fracasso, entoando o velho mantra dos derrotados: Eu fiz minha parte!
Venho pesquisando o tema da competição já há alguns anos tentando compreender sua utilidade. Confesso que até hoje não encontrei nenhuma sequer, mas continuo procurando. Competição de uns contra outros, soa mais como divisão de forças, conspiração. Não consigo ver vantagem alguma nisso. Pelo contrário, vejo que seus efeitos são bastante prejudiciais a todos. Muitas das posturas pouco éticas que presenciei dentro de diversas empresas, tinham por pano de fundo algum tipo de competição em que o concorrente não se via em condições de vencer e passara a apenas se defender. A competição virava guerra pela sobrevivência. Não sobrevivência real, mas do emprego, da posição, do status adquirido ou coisa que o valha.
Competição válida, saudável e que beneficia a todos é somente quando competimos conosco mesmo pelo nosso próprio aprimoramento pessoal, isso é mais evolução do que competição, mas quando a demanda para esse aprimoramento vem de fora isso tende a perder a atmosfera de crescimento e ganhar ares de sobrevivência. Ai o caldo entorna. Por outro lado a cooperação quando fomentada adequadamente, e se bem tiradas as vaidades individuais de lado, so tem a beneficiar a todos. Quando fazemos nossa parte e vemos que outro membro da equipe está em dificuldades, corremos em seu auxilio para que o projeto seja bem sucedido.
Na competição vigora a relação eu-outro e este outro é sempre competidor, concorrente, quando não, inimigo. Na cooperação vigora o nós, nesse caso o outro é aliado e não inimigo. Quando os projetos são alcançados pela cooperação de todos, todos saem ganhando e o espírito de equipe se fortalece. Ao contrário da competição, ninguém perde e todos ganham. Ainda que o projeto fracasse a derrota não terá gosto assim tão amaro, pois os laços de cooperação ainda saem fortalecidos. Contudo é possível que num período de transição entre um e o outro modelo surjam oportunistas que queiram se valer da força do grupo apenas para sair vitorioso. Ou outros que no fracasso do projeto preferiram apontar os culpados apenas para não servir de bode expiatório. Mas esses desvios ainda são do modelo anterior. Certo ranço que insiste em ver competição, vitória e derrota; culpados e inocentes. Um mero resquício de competição que teima em não se render e que ainda teme a derrota.
Claro que podem aparecer no interior de equipes cooperativas os indivíduos que se aproveitam da força do grupo para ficar na “aba”, não cooperar e ainda se apresentar prontamente para comemorar o sucesso com o grupo mesmo que o produto final não tenha a fragrância de seu suor. No fracasso, tampouco apontará os culpados e ficará tão consternado quanto os outros, mas esse indivíduo somente esta em lugar errado e apenas não sabe como colocar suas competências ao serviço do grupo. E mesmo esses não são privilégio da cooperação. Talvez até sejam mais daninhos na competição.

Se pudesse aqui declarar meu sonho de consumo, este seriam equipes cooperativas compostas de líderes conscientes de seus papeis, tanto quanto de seus talentos e limitações e que somassem seus talentos para a obtenção dos resultados almejados pelo grupo. Objetivos que promovessem um auxilio mútuo e oportunidades de superação, aprendizagem e crescimento para todos. Onde o percurso fosse tão importante quanto o objetivo e o trabalho cooperativo mais importante que os resultados. Onde muitos cooperam todos ganham.    

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Sustentabilidade como (re) posicionamento estratégico.

(Por: Jadir Mauro Galvão)

A Gestão Ambiental (GA) vem ganhando, com o tempo e com a maturação de suas idéias, um espaço crescente no mundo empresarial. Se o aumento da consciência ambiental ou a escassez de recursos naturais ainda não tem a capacidade de mobilizar ações realmente sustentáveis, eventuais multas legais podem oferecer o empurrãozinho necessário. Se, ainda resistentes, os gestores e empresários ainda buscam pesar se os custos com investimentos nessa área não serão mais elevados do que eventuais ônus com multas legais, vai aí mais um incentivo para fazer coro nos discursos de sustentabilidade.
A chamada “Ecoeficiência”, já rendeu inesperados e surpreendentes bons números a gestores que se anteciparam e aderiram espontaneamente a causa. Aquilo que se anunciava como aumento necessário de custos, acabou por se transformar, mais do que apenas redução de custos oferecidos por uma produção mais eficiente, em ganho competitivo, na medida em que se pode transferir para os preços essa pequena diferença, tanto quanto expandir mercado para uma parcela de “consumidores verdes”. Claro que também foram necessários investimentos em marketing para poder divulgar ao publico em geral uma imagem de “bom moço” dos produtos ditos sustentáveis.
Para alguns o tiro saiu pela culatra, na medida em que, sendo esse consumidor mais consciente e percebendo que o alarido propagado não gozava da sustentação necessária, acabou por carimbar a bandeira hasteada com bordões que buscavam evidenciar uma imagem ecologicamente responsável dos seus serviços ou produtos,  como “Greenwashing”. Talvez, com isso sejam necessários outros tantos recursos financeiros imprevistos, para recuperar a imagem institucional da empresa ou do produto.
Mas, um ponto a ser ressaltado, é que a GA deixou o anonimato de uma mera questão de chão de fábrica, para atravessar outras tantas esferas da administração. Deixou de ser tema especifico e marginal, para se transformar em pauta principal de reuniões de conselho. Mas o ponto que reputo como mais importante é que o impulso nessa direção é irreversível e tem consequencias ainda imprevisíveis.
Por fim gostaria de deixar aceso um sinal de alerta amarelo. Dos famigerados “R’s” da sustentabilidade (reciclar, reutilizar e reduzir), o mais duro e menos bem-vindo é o do reduzir. Quem, em sã consciência, faria adesão a reduzir o consumo, produzir produtos que durem mais e com isso ver, também, reduzida sua meta de vendas e consequentemente seu faturamento e lucratividade? Ao contrário, privilegiamos o crescimento, o aumento de vendas. Justamente por esse motivo é que a maioria dos produtos hoje comercializados são potencialmente descartáveis. Contudo essa prática é contra vários dos princípios acordados mundialmente na Carta da Terra. O risco não é meramente ético, mas aceno com um risco de sobrevivência, de sustentabilidade não do planeta, mas da própria empresa ou de seu produto. Creio que esse fenômeno já pode estar acontecendo debaixo do nosso nariz. A fabricante de veículos Coreana Hyundai vem desovando no mercado produtos com design arrojado, conforto, desempenho, economia, tecnologia e o mais importante: cinco anos de garantia! Isso pode justificar o aumento do número de veículos da marca em circulação em nossas metrópoles brasileiras. Que num outro momento isso possa significar uma redução de vendas na medida em que o veículo passa a dar menos defeitos e seu consumidor não esteja disposto a arcar com a despesa adicional de trocar um veiculo em perfeitas condições, apenas para ter um mais novo que lhe oferecerá o mesmo que já possui. Isso pode significar uma tomada de posição estratégica num novo mercado sustentável. Faturamento reduzido, mas vivo e saudável, ao passo que outros concorrentes podem ver seus produtos recusados por não serem tão duráveis. Lembro-me do orgulho de determinadas marcas de ferramentas alemãs tinham de dizer aos quatro ventos sobre a durabilidade de seus produtos. Se essa for a tônica do mercado num futuro próximos é preciso preparar-se o quanto antes para esse passo tão arriscado e decisivo.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cultura empresarial e sentido


Em algumas empresas é habitual trabalhar até bem além do horário comercial tradicional. Virou parte da cultura da empresa. Para o recém contratado desatento até passa sair no horário estabelecido contratualmente, mas depois de algum tempo, quando este assume integralmente suas atividades e as responsabilidades inerentes a elas, sair no horário pode parecer displicência ou falta de compromisso. Cheguei mesmo a ver casos de pessoas “trabalhando” em madrugadas e finais de semana, sem uma justificativa plausível para isso. E essa não é uma prática esporádica, mas contumaz. Por vezes, nos esbarros do cafezinho percebia-se certa “disputa” velada de quem fez mais horas ou aquela disfarçada reclamação de estar cansado, apenas para comentar o fato de ter trabalhado no domingo ou na madrugada anterior. Para muitos, isso se transformava em pretexto para chegar um pouco mais tarde e alongar a soneca matinal sem que isso pesasse na consciência.
Noutras, diferente disso, a regra era cumprir o horário. Soava como eficiência! Sair cedo, ir para o happy, conversar sobre futilidades com a justificativa de deixar passar o horário de pico do trânsito. Entre as futilidades mais comuns, em meio a uma ou outra reclamação pestilenta do chefe ou de algum desafeto, estava o quase sempre presente objetivo de trocar de carro, de celular, notebook, como se isso fosse a coisa mais urgente, sem o qual a vida pararia.
Poderia citar aqui um bom número dessas esquisitices que, para quem tem o mundo corporativo como seu “habitat“, pode parecer até natural. Contudo o ponto que gostaria de assinalar é que essas condutas socialmente aceitas estão, no mais das vezes, recobertas com aquilo que chamamos de “agenda oculta”. Essas práticas parecem amiúde escamotear um casamento falido, um medo de perder o emprego e uma boa estratégia para fazer o que o chefe aprecia e valoriza, um artifício para lidar com algum tipo de dificuldade sexual, carência afetiva entre outras tantas dificuldades comuns de nossa história do mundo cosmopolita contemporâneo.
Essas dificuldades acabam por aproximar pessoas afins e as práticas criam as chamadas panelinhas que, por fim, culminam por forjar a cultura da empresa. Criam, por assim dizer, um conjunto de costumes e valores sem o menor sentido profissional, mas que acabamos por recobrir de significações arbitrárias e que, por ser compartilhado pela maioria, ganham um ar de natural. Tudo isso transforma-se, muitas vezes, em entraves toleráveis ao trabalho.
Existe uma grande confusão entre a generalização dessas práticas bizarras com a real cultura de empresa. A cultura acaba sendo encoberta por uma série de práticas que só com muito esforço poderiam traduzir os valores, a visão e a missão real da empresa. No mais, acabam por prejudicar a todos. É preciso distinguir com sensatez a real cultura da empresa, aquilo que realmente agrega valor a atividade profissional, desses fantasmas que as assombram. A confusão acaba por criar um ambiente de trabalho doentio e muitos bons profissionais acabam por não querer trabalhar nessa empresa arrastando todo seu network na mesma direção. Lembro-me de um amigo que me convidou para trabalhar em uma empresa dessas. Fiz a seguinte indagação: “... muita gente, há muito tempo, fala muito mal dessa empresa. Voce realmente acha que é uma boa oportunidade para mim?”. Sem resposta, passamos a ver outras alternativas e continuamos amigos .

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Decisões e escolhas

Decisões são muito diferentes de escolhas. Enquanto as escolhas levam em consideração o presente onde se está e o futuro que as escolhas podem proporcionar, as decisões nos remetem a um presente restrito que temos de abandonar e a uma possível reedição ou não do passado. Por isso, as decisões são tão doloridas, exatamente pelo apego ao que já temos e não queremos perder. Nas escolhas, o presente e o passado também estão implicados, embora não sejam o mais importante e pouco interfiram em qual escolha será feita, mas, em geral, numa decisão nos restringimos a uns poucos pontos do passado e outros poucos do presente. Que pontos são esses? São os que se assemelham ou não às situações passadas ou àquilo que teremos ou não de abandonar no presente.
Se essas alternativas se apresentam com certa similaridade com algum fato de nosso passado que consideramos ruins, essa alternativa terá bem menores chances de ser a escolhida. Se, por outro lado, as alternativas figuram com maior semelhança a algo que nos pareceu bom em nosso passado, então a recobrimos de maior importância. No caso dos fragmentos do presente, claro que sempre uma decisão busca nos tirar de uma situação incômoda em nosso presente, mas não é o todo do presente que é ruim. Se a alternativa nos oferece risco de perdermos algo bom, receamos. Se, pelo contrário, podemos apenas nos afastar da parte que é ruim, então preferimos.
Quem já esteve sob o aperto de uma decisão reconhece esse mecanismo e o vê como natural, mas as aparências enganam. Quando enfrentamos uma decisão, esse foco demasiado em apenas alguns poucos aspectos do passado e do presente provocam uma acentuada diminuição de perspectiva sobre o todo de nossas vidas. Alguns aspectos não serão considerados e certamente serão eles que reclamarão seu espaço em nos provocarão o sentimento de arrependimento. Arrependimento é justamente isso. Quando o preço a ser pago por nossa decisão é alto demais em relação aos benefícios proporcionados. Quando o que abandonamos nos é mais caro do que o que conseguimos. Esse foco em poucos aspectos pode retirar de nosso campo de visão e de análise uma quantidade generosa de fatores que poderiam entrar na conta da decisão.
Simples, bastaria ter o tempo necessário para ampliar esse ângulo para termos considerados esses e outros tantos aspectos. Mas aqueles pontos iniciais que restringiram nosso campo de visão exercem tamanha pressão sobre nossa decisão que nos oprimem, cerceando nossa liberdade para escolher. Colocam como que certa necessidade e previsibilidade em nossas escolhas. O receio de ter de abrir mão de algo já conquistado, a possibilidade, mesmo que remota de que algo ruim possa voltar a acontecer, o medo de não atingir o objetivo esperado após todo esforço, o risco de que o objetivo, mesmo que alcançado, não nos traga os benefícios esperados ou, pior, todos esses ingredientes juntos. São esses os grandes monstros da decisão e que nomeamos como: frustração, decepção e arrependimento.
São pressões de nossa consciência, mas não apenas dela. Nossos relacionamentos mais próximos e as regras morais da sociedade em que vivemos nos impõem certas regras de conduta que premiam o sucesso e abominam o fracasso. Esses fatores externos transformam o ato de decidir em um ato heterônomo, alheio. Vivemos numa cultura do prático, que cultua o sucesso. Ora, sucesso é a adequação dos resultados às expectativas, mas expectativas de quem? A pressão exercida pelo entorno por vezes é tão forte que, buscando conquistar mais liberdade, corremos o risco de abrir mão dela em prol de não corrermos o risco de uma eventual não aceitação.
Podemos, quem sabe, aprender a considerar todas essas questões e com um bom exercício ponderar essas pressões a ponto de recuperarmos a autonomia de nossas decisões, mas mesmo que isso aconteça, apenas ganhamos em autonomia, e não em liberdade. Liberdade, lembrando o filósofo francês Henri Bergson, está na ausência de qualquer razão tangível para a escolha. Assim, estaremos tanto mais livres de pressões quando mais estivermos libertos de qualquer tipo de necessidades e opressões vindas do externo ou até mesmo de nossas vontades. Ora, se nossas vontades nos oprimem nós nos tornamos reféns dela e, com isso, nos tornamos previsíveis.
Mas nosso problema não termina até que nos libertemos da própria decisão. Sim, ela se impôs a nós independentemente de nossa escolha. Provavelmente em decorrência de fatores não pensados de decisões passadas. Ficamos assim reféns de uma cadeia de decisões onde se embaralham decisões presentes com decisões passadas. É por isso que o mesmo Bergson, num momento posterior, modifica sua concepção de liberdade. Se, num primeiro momento a liberdade reside na ausência de pressões para a escolha, ainda teremos de escolher, num segundo momento só encontraremos real liberdade na criação do novo. Somente ganharemos real liberdade quando nos colocarmos perante o futuro de mãos vazias. Não teremos como apanhar as surpresas da novidade se estivermos com nossas mãos e mentes ocupadas com o antigo.
Se dissemos que sucesso é a adequação do resultado às expectativas, tudo o que não se adapta às expectativas é erro, é fracasso. Mas o que é a novidade senão, exatamente, a não adequação do resultado a qualquer coisa que conhecemos? Grande parte daquelas experiências passadas que buscamos repetir, foi tão boa pela novidade, pela surpresa e pelo frescor do desconhecido. Se vivemos uma vida perseguindo o sucesso, sem saber também perseguimos o passado do já conhecido. Tanto quanto abandonamos toda e qualquer perspectiva de surpresa e novidade. Ora, será mesmo que devemos permitir que a riqueza do nosso passado nos imponha limites e que nos reste somente uma pobreza em nosso futuro?

segunda-feira, 11 de março de 2013

Em busca de parceiros!

Ao longo de trinta e cinco anos atuando em empresas nacionais e transnacionais, percebi que determinadas dificuldades eram recorrentes independente do porte ou da cultura de origem da empresa. Eram dificuldades emocionais, de liderança, tomada de decisão, conflitos internos e outros tantos. Isso me levou primeiro ao estudo da PNL (Programação neurolinguistica), e depois da filosofia e da sociologia.
Comecei, por volta de 2008 a escrever o que, após tanto estudo e empenho, acreditava ser a solução para inúmeros desses problemas. Criei o blog “Filosofia nas empresas”, e quando dei por mim já tinha uma grande quantidade de leitores vindos tanto do Brasil quanto de outras tantas partes do mundo.
Nas tantas entrevistas e discussões sobre os temas abordados no blog, percebi o quanto as soluções propostas eram realmente pertinentes e redentoras para muitos. Agora, no momento em que os textos do blog estão virando livro a ser lançado em breve por uma editora de tradição surge a oportunidade de discutir mais abertamente os temas mais picantes do mundo corporativo na TV. Num primeiro momento ainda uma TV Web, mas com claras perspectivas de migrar para TV aberta.
O objetivo, porém, não é ser uma voz solitária se erguendo no alto de algum monte, mas sim a oportunidade para debater com gestores e empresários que estejam também insatisfeitos com seus próprios resultados e anseiam por novas perspectivas para o mercado e seus produtos, tanto quanto uma nova atmosfera para o ambiente interno de sua corporação.
Para tanto, mais do que apoiadores financeiros para custear o programa de TV, busco interlocutores para debater os assuntos e também para difundir as soluções propostas e viabilizá-las em suas próprias empresas.
Trata-se de um programa semanal de uma hora veiculado ao vivo e também gravado, tendo seu conteúdo na íntegra disponibilizado para a TVUOL.
O apoiador poderá participar do programa ou indicar participantes, mas desde que se tenha claro que o mais importante é a sociedade e o ser humano, antes do lucro e da publicidade que virão certamente.
Para agregar valor à proposta, também ofereço horas de consultoria de PNL, filosofia e coach para o apoiador experimentar as soluções propostas.
Como objetivo maior a ideia é a de aproximar esses dois mundos, a filosofia e o mundo corporativo, de modo a que ambos se beneficiem mutuamente.
Se você é um gestor ou empresário que queira embarcar nessa bela viagem entre em contato conosco.    
 Divulgue essa ideia.
 
Abraços
Jadir Mauro galvão
Sobre mim:

http://www.jadir.webrok.com/

Sobre o blog:
http://filosofianasempresas.blogspot.com.br/

Sobre a TV
http://tvuol.uol.com.br/assistir.htm?video=pesquisa-em-pnl-04028C18346CE0914326

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Produção, especulação e livre iniciativa.


É sabido que tem mais chances de ganhar um bom dinheiro, quem já tem um bom dinheiro. Está em melhores condições de negociação, tem maior poder de compra e de barganha, não tem pressa na venda e pode aguardar o momento ideal para o melhor negócio. Com isso, este que ocupa as camadas superiores de uma hierarquia social de conformação piramidal, arrasta para o topo certa quantidade de recursos que ora estavam mais abaixo circulando nas camadas inferiores. Se essa lógica esta correta é de se esperar que todo recurso que temporariamente circula pelas camadas mais próximas da base piramidal trilhem através de fluxos contínuos unidirecionais o caminho do topo e só fiquem circulando nas camadas inferiores, certo excedente desnecessário que poderá ser apropriado ou não de acordo com a vontade dos de cima.  
Investimentos de setores produtivos injetam parte destes recursos do topo em novos projetos de negócio e com isso colocam certa quantidade de capital novamente em circulação. Assim, tanto irrigam as camadas inferiores aquecendo a economia quanto cumprem uma tarefa, voluntária ou não, de distribuição de renda. Essa iniciativa, ao longo do tempo produz dividendos sociais, na medida em que gera trabalho e remuneração, mas também tem a capacidade de fazer o recurso investido retornar ao seu lugar de origem, fazendo com que não somente o investimento seja recuperado, mas ainda retornem mais gordos e saudáveis.
Penso que, bem grosso modo, é assim que gira a economia. O governo também tem seu papel, na medida em que efetua investimentos em infra-estrutura e serviços, sobretudo sociais, injetando capital na economia. Com isso saem beneficiados tanto os que estão no topo a custa de novas oportunidades de negócio, quanto os que ficam na base com maior oferta de trabalho.
Contudo penso que essa mecânica promove logicamente sempre um fluxo dos recursos para o topo da pirâmide.  Com essa lógica os ricos ficarão sempre mais ricos e os pobres ficarão mais pobres, ou ao menos conseguiram manter-se estacionados na mesma condição, tendo seus recursos sempre dragados por uma torrente ascendente. Enquanto há investimento produtivo a base será constantemente irrigada, ao menos o suficiente para não secar a fonte. Preservando assim tanto o poder de compra quanto o fluxo ascendente dos recursos valorizados pelo trabalho da base.
Se, com o aparecimento do sistema capitalista em substituição a um feudalismo monárquico, tivemos um ganho, na medida em que se trouxe a prerrogativa de ascensão social para as mãos da livre iniciativa. Parece haver aqui um deslocamento desse conceito. Ora a idéia de livre iniciativa parece agora ter uma relação mais estreita com a decisão livre de quem está no topo se irá ou não investir o seu rico dinheirinho, do que uma real liberdade de qualquer um ter alguma iniciativa que possa oferecer a mobilidade social pretendida.
Contudo, a dificuldade maior que vejo é quanto ao capital meramente especulativo. A especulação, a rigor, não tem por finalidade produzir nada. Quando produz tem vistas mais ao rendimento do que a própria produção. Mesmo que seja um investimento de risco e que eventualmente dê prejuízo, o capital especulativo ainda fica resguardado por alguma apólice de seguro ou por uma dívida que permanecerá ativa ou até ser liquidada ou até caducar, mas mesmo essa não se transformará em prejuízo, na medida em que irá se incorporar à taxa de risco dos novos investimentos permitindo sua posterior recuperação. Salvo a injeção de capital para pagamento da burocracia necessária para o controle da especulação e ela se transformaria meramente numa draga da economia sugando para o topo todos os recursos disponíveis.
Se Marx apontava os proprietários dos meios de produção como vilões de um capitalismo nascente. Nos dias de hoje esses proprietários foram transformados em meros proprietários (ou proletários) explorados tanto quanto os trabalhadores, pelos novos senhores do capital. Olhando biologicamente essa parece ser uma relação mais parasitária do que comensal. Não tendo mais recursos para sorver dos proletários atuais buscam alienar o futuro com financiamentos a cada vez mais longo prazo, e para não correr o risco de uma morte súbita de sua entrada, incorpora à prestação um seguro de vida, desse modo alienando a própria morte do hospedeiro.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sistema capitalista

Há algum tempo venho pensando sobre como será o mundo pós-capitalismo. Muito se comemorou a queda do muro de Berlim. Fato emblemático que permitiu a reunião de pessoas que se mantinham separadas por muros dentro de uma mesma cidade, falando o mesmo idioma, rezando o mesmo credo, mas separadas por ideologias diferentes. As segregações raciais ainda existentes ao redor do mundo parecem também se dissolver pouco a pouco. África do Sul, Iraque, a antiga Iugoslávia... os muros estão sendo derrubados ainda que timidamente. As recentes rebeliões, aparentemente buscando liberdade no oriente médio vêm oferecendo novos contornos ao mundo. Por outro lado, o fim da Guerra fria, também fez acabar com a ajuda mútua entre os países capitalistas. Nós, países em desenvolvimento ganhamos e perdemos com isso. Ganhamos o fim das ditaduras militares, historicamente financiadas pelos países ricos que temiam que o “comunismo” se alastrasse para além da Cortina de ferro enamoradas dos antigos regimes populistas. Ganhamos uma pretensa democracia, novos populismos. O upgrade na categorização de “Terceiro mundo” para “Em desenvolvimento”. Ganhamos uma autonomia para cuidar de nossas próprias contas e controlamos a inflação.
Todavia, o processo de globalização se tornou predatório. Produtores de rúcula, agrião, almeirão e chicória passaram para a monocultura do alface “macdonaldizado”. Bancos de lá e de cá foram engolidos pelos grandes. Empresas de vários ramos de atividade foram tragadas por conglomerados multinacionais com sedes nacionais ou internacionais (pouco importa!), ceifando centenas de milhares de postos de trabalho exigindo que os profissionais se reinventassem ou se tornassem “terceiros”. Por sorte a tecnologia e os cursos tecnológicos surgiram para suprir uma demanda crescente por mão de obra pouco mais qualificada. Ainda que em nossa economia brasileira um progresso represado durante anos possa agora ser experimentado sazonalmente, não podemos nos enganar e confiar que estamos imunes aos sobressaltos das crises econômico-especulativas que fazem muitos ao redor do mundo apertar um ou outro buraco do cinto.Países inteiros em crise, pois a torrente financeira ascendente que marca a pirâmide social, aliada a incertezas dos mercados. Faz o capital de investimento que poderia irrigar a base da pirâmide descer timidamente e somente como capital especulativo. Recolhendo-se em sua maioria nas mãos privadas dos endinheirados. Essa situação não tem como perdurar por muito tempo. Penso que já sejam observáveis fissuras nas colunas de sustentação do próprio sistema capitalista. Não se trata de qualquer tipo de catastrofismo escatológico, mas de vislumbrar que o próprio capitalismo nasceu em meio a crise similar experimentada em regime ainda essencialmente feudal dando sinais claros de fadiga.
É que a maior parte de nós nasceu, cresceu e viveu mergulhado até o pescoço no capitalismo e, por falta de alternativas emergentes ainda soa epistemologicamente como verdade absoluta. Ledo engano! Peter Drucker nos diz que:

A cada dois ou três séculos ocorre na história ocidental uma grande transformação. [...] Em poucas décadas a sociedade se reorganiza – sua visão do mundo, seus valores básicos, sua estrutura social e política, suas artes suas instituições mais importantes. Depois de cinqüenta anos, existe um novo mundo. E as pessoas nascidas nele não conseguem imaginar o mundo em que seus avós viviam e no qual nasceram seus pais.

Penso que esse limiar de transformação está ocorrendo agora e em breve o capitalismo sucumbirá sendo sucedido por uma nova organização social, uma nova mediação social que não o capital e onde os binômios trabalho-remuneração e produção-lucro serão substituídos por contribuir-usufruir em mesma medida.
As empresas no paradigma atual visam essencialmente o lucro, mas se não houvesse mais o lucro haveria razão delas existirem? Para muitas penso que sim! Uma indústria de alimentos ainda teria um propósito e penso que ainda competiria em qualidade de produto com seu concorrente para que o produto a ser consumido fosse o seu e não o do concorrente. Uma indústria farmacêutica séria deve ter consciência de seu papel social. Mesmo não almejando o lucro penso que a Adidas gostaria de ver seu material esportivo vestindo uma porção de gente e não os da Nike e vice e versa. Modificaria a mediação social.
Hoje a mediação social entre pessoas, empresas ou governo é feita essencialmente por dinheiro. Compramos produtos e se não temos dinheiro (ou cartão de crédito!), não compramos. Moramos em nossas casas, mas apenas se pagamos os impostos para o governo. Chegamos ao absurdo de sequer nos relacionarmos com pessoas se elas não forem, em algum momento, interessantes financeiramente para uma recolocação profissional ou coisa que o valha. Amigos se transformaram de modo chic em network. Nós mesmos com raras exceções so trabalhamos ou contribuímos mediante remuneração (ou outro interesse!). Penso que os dias da mediação pelo capital não sejam longos. Os ares da nova era nos inspiram a superar a mesquinhez. Precisaremos aprender a viver em um mundo novo. Mas penso que teremos mais a ganhar em humanidade do que perder em dinheiro!