domingo, 20 de novembro de 2011

A importância e a peculiaridade da máquina ‘homem’, na produtividade das empresas!


Estamos no início do século XXI, momento em que as tecnologias, sobretudo da informação estão em franca ebulição. A cada momento as empresas são “obrigadas” a se atualizar tecnologicamente, metodologicamente, procurando se adequar às exigências do fervilhante mercado. As metodologias e as diversas políticas de qualidade estão em voga, roubando o tempo, o foco e porque não dizer, o sono de muitos a todo o momento. Se um equipamento já não se adequar às necessidades prementes, simplesmente buscamos no mercado outro, mais versátil, ou mais especialista, ou mais produtivo, ou mais robusto, ou mais... Não importa, trocamos!
Com a `máquina homem` este processo não é simples assim, embora, grande parte das vezes o mecanismo adotado é o mesmo. Troca-se!
O homem é dotado de variáveis que fogem ao controle. Precisamos considerar os aspectos: motivação, interesse, objetivos próprios, auto-estima, saúde do individuo, o risco que este pode nos oferecer no caso de uma decisão inadequada. Imagine um piloto de avião, por exemplo! Mas o problema é que em algumas vezes o critério adotado tanto para os equipamentos inanimados quanto para os “animados” e até para os desanimados é o mesmo: A produtividade!

Para a máquina podemos trocar peças defeituosas, no homem não! Ligar a máquina em um final de semana, tudo bem, mas para o homem a coisa é diferente. Existem filhos, compromissos, descanso rotina, inúmeros fatores que são postos de lado em prol do “resultado”, da produtividade.

Este resultado é o “grande senhor” que rege nossas vidas! Se atingirmos o resultado: Vitória! Se não: Fracasso! Se produzimos nos sentimos dignos, com a auto-estima elevada, senão...
Ocorre que disso, muitas vezes, depende nosso sentimento de dignidade, de auto-estima, nos sentimos desprezíveis, com medo, se não estamos “produzindo”.
Uma passagem de uma música do saudoso Gonzaguinha retrata muito bem isto que estamos falando: 

“...o homem se humilha; se castram seus sonhos;  seu sonho é sua vida, e a vida é o trabalho; e sem o seu trabalho; um homem não tem honra... não dá pra ser feliz...”.

Mas, o mercado serve à vida ou a vida serve ao mercado?

Ocorre aqui uma inversão de prioridades. O que deveria estar atuando com vistas ao bem-estar, acaba provocando um mal-estar. Em busca da satisfação do ‘cliente’, estressamos os profissionais, que no mais das horas é o próprio ‘cliente’ e este mesmo torna mais severo com seu grau de exigência.
O trabalho se transforma no sacrifício diário que somos obrigados a fazer em prol de um status conquistado e aquilo que deveria ser o exercício do nosso talento com vistas ao bem da sociedade se transforma em dura e cruel competição. Seu companheiro de trabalho, que deveria ser seu colega, transforma-se em concorrente e as mais vis atitudes são contemporizadas tendo em vista esta premente guerra.
Mas não é, como poderia parecer, uma atitude com a qual a classe dominante nos impinge contra a nossa vontade. É decisão pessoal! Se pararmos para analisar “friamente”, conseguimos perceber o quanto a nossa conduta diária se encontra sutilmente contaminada por este paradigma e nossos comportamentos se encontram forrados por estes erros de processo, de tal forma que soa como sendo a coisa mais natural do mundo.
O homem acaba por se desumanizar, ou porque não dizer acaba por se “animalizar”.
Aquele companheiro de equipe, quando não está, por um motivo ou outro qualquer, produzindo a contento, pode se transformar em um risco à produtividade da equipe e, portanto, a minha, colocando em risco a nossa reputação e porque não dizer nosso emprego. Portanto despedi-lo pode ser a “melhor solução”. Para o benefício de “todos”.
Em algumas experiências, andando de ônibus em pleno horário de pico, tive a oportunidade de ver as pessoas se auto-submetendo a condições sub-humanas, só para chegar mais cedo em casa!
Vamos traçar um círculo vicioso:
Uma pessoa se esqueceu de enviar um documento para uma apresentação que vai ocorrer às 14 horas. Chega as 12:30 h e ela pede um motoboy com urgência, para levar o documento ao destino previsto. As 13:30 sua amiga chega do almoço no shopping se queixando que um ‘maluco’ de um motoboy a fechou sem motivo algum quebrando o seu espelhinho retrovisor, correndo como um louco. Passou pela concessionária para ver se encontrava outro e ninguém a atendeu, pois estavam quase todos almoçando rapidamente, pois haveria uma apresentação e a maioria tinha sido convocada para assistir. A fila de clientes estava enorme e deixaram somente um ‘lerdo’ atendendo!
Este e um quadro que se apresenta de forma cotidiana em nossas vida, desta forma ou de forma análoga.
O despotismo da produtividade entremeia nossos comportamentos, mina nossas capacidades, contamina nossos pensamentos e desnutre nossa identidade e deteriora nossas relações. E não há pílulas como antídoto! E uma questão de posicionamento ante a vida!
A autoridade do cronograma nos priva de vivências ímpares com nossos familiares, isso sem contar o disseminado, embora inócuo, método de alívio de stress que é ficar frente à TV vendo a novela das 8:00 ou seja lá a hora em que comece.
Estamos nos tornando ‘Mecanismos Vivos’! Autômatos com enorme potencial mental em Stand-By. Por sorte a lei do uso e desuso de Lamark não vingou, no entanto Darwin cravou uma estaca em nossa personalidade frágil e por isso agradecemos em nossas preces diárias não ter sido engolido por algum tiranossauro rex de algum chefe desumano
Uma mudança de atitude frente a isso pode gerar uma grande dor de cabeça, pois estaria remando contra a maré e no mundo corporativo este tipo de comportamento e punível com demissão, mas não mudar é perenizar e mais do que isso avalizar o status quo e ser cúmplice desse crime. A proposta não é ao estilo sindical com ameaças de greve ou coisa que o valha, mas sim uma solicitação premente ao repensar, um reposicionar-se perante a vida e ao outro. Estimular menos a competitividade insalubre substituindo-a por uma busca constante pela excelência pessoal.

È necessário um substancial senso de competência e uma alta auto-estima para questionar a autoridade do cronograma e inserir a humanidade entre os frios números e ultrapassar o que costumo chamar de ‘Hipocrisia institucionalizada‘, onde acabamos por desprezar a realidade, confiando mais nas instituições burocráticas profundamente abstratas e sem o menor sentido. Nos transformamos em animais teóricos! A luta pela sobrevivência é simplesmente para estar com a razão e, sobretudo estar dentro do prazo! 

Não se trata de romper, de virar as costas para tudo isso, sair do jogo não mudas as regras! Mas de jogar o mesmo jogo visando outros objetivos e métodos mais humanos. No mundo competitivo estaremos em desvantagem e exatamente por isso precisamos ter mais senso de competência. Para jogar o mesmo jogo de outro modo e com outra finalidade.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Entre o objetivo e o percurso!

No mundo dos negócios fala-se muito em projeto. Até em nossa vida pessoal usamos esse mesmo termo. Dizemos: projetos pessoais - para distinguir dos projetos que experimentamos dentro das empresas. A característica fundamental do projeto é que ele tem início, percurso e fim. Nada mais simples! Claro que o ponto fundamental do projeto é o fim. O projeto só existe por causa dele; é o fim que se busca; ele é o ponto de encontro de todos os esforços, é o que dá a direção para todos os envolvidos; é o que oferece o sentido de todas as ações a ele alinhadas. Olhando desse modo, o percurso é meramente a distância, quando não, o obstáculo que nos separa do fim. Dito de outro modo, ele é o preço a pagar para atingirmos o que queremos.
Para minimizar os efeitos do percurso – para encurtá-lo ou cumpri-lo no menor tempo possível -, usamos o nosso tão conhecido planejamento. Nele serão definidos os papéis, a divisão de tarefas, as atividades, e os - também muito conhecidos - check-points para verificar o andamento e os desvios de rota; os pontos de gargalo ou de risco. Estabelecemos todo um cronograma (Opa! Este também conhecemos!) de atividades e seccionamos o objetivos em metas. Agendamos reuniões de alinhamento e definimos estratégias de contingência. Conseguimos prever eventuais dificuldades e traçamos um plano de ação no intuito de contorná-los ou ao menos de minimizar seus impactos.
Ocorre que raras vezes teremos ao nosso dispor um time com a heterogeneidade de competências necessária para cumprir os específicos e diferenciados papeis estabelecidos. Pode ocorrer de termos ao nosso dispor excelentes planejadores que são mais morosos na execução. O próprio caráter de planejador já predispõe o indivíduo a uma agilidade para o pensamento, mas nem sempre para a ação. O complexo leque de capacidades do time pode não estar totalmente aprumado com as competências requeridas à consecução dos trabalhos. Isso certamente exigirá certa dose de esforço adicional, quando não, superação individual. Mas isso não é realmente ruim, somente é ruim se os envolvidos não estiverem dispostos a lidar com suas próprias limitações para ir além do já conhecido.
Outro ponto crítico é o embate de vaidades e de medos entre os membros da equipe. Ocorre, com freqüência, sobretudo quando se incentiva a competitividade entre colaboradores. Aquele com uma baixa auto-estima é capaz de “sabotar” os outros, na medida em que se vê em desvantagem na competição, quer seja por produtividade ou pelo crédito de algum acerto ou na eventual culpa por um erro. Em suma, quando o seu colaborador não se sente intimamente capaz vencer um determinado desafio, vai fazer com que ninguém o consiga, sabotando sistematicamente o processo.
Por outro lado é até benéfica alguma dificuldade no percurso. Se seu colaborador não for instigado a progredir, não for desafiado a superar seus limites, se não for orientado a ter objetivos próprios, vai perder a mobilidade, a dinâmica de crescimento e ficar estagnado dentro das paredes de sua própria competência, de sua zona de conforto, isso não lhe proporcionará nenhum aprendizado, nenhuma evolução. Mesmo as dificuldades entre os membros da equipe, podem funcionar como meio de ultrapassar as diferenças. Os conflitos, embora muitos os evitem, fazem parte da vida e nos exige transformação, mudança, superação, numa palavra: crescimento. Ao nos confrontar com as diferenças, sobretudo se não nos restar alternativa de fuga do conflito – o que ao meu modo de ver é ótimo –, os indivíduos em conflitos podem suportar um ao outro deixando armazenado, cada qual dentro de si mesmo, coisas do tipo: mágoa, rancor, ressentimento ou coisa que o valha. Ou simplesmente amadurecer com o processo. Ganhar maturidade em lidar com diferenças.
Esse tipo de crescimento só é possível quando o projeto atinge um nível crítico. Quando tudo está correndo dentro do planejado as diferenças desaparecem, mas a vida real não segue, ela não tem obrigação de seguir nosso planejamento. Não planejamos trânsito congestionado, chuvas torrenciais de verão, filho com febre, ou aquela comida que cai enviesada no estômago, muito embora sejam eventos totalmente previsíveis. E eles insistem em ocorrer mesmo não sendo bem-vindos no cronograma. Mesmo com tudo isso acontecendo os check-points não mudam de lugar dentro do planejamento, tampouco os prazos e as metas. Isso revela o quanto nosso planejamento é, em geral, pouco aderente a própria realidade. Revela também que os conflitos e as dificuldades, embora sejam inoportunas se temos em mente apenas o fim, são componentes naturais do percurso e deixam a maturidade, o crescimento e a evolução como legados preciosos.    
Nosso trabalho, os projetos que nos envolvemos são como que um microcosmo da vida. Mais do que somente uma metáfora é o que é realmente importante na própria vida. Os obstáculos, as dificuldades, as diferenças são o que há de mais natural e corriqueiro. E tudo isso tem um sentido profundo de ser como é. É que nossa postura habitual busca, quase sempre, evitar o conflito, contornar as dificuldades – sem resolvê-las – se esquivar do debates, isto é, burlar a ordem natural da vida. Mas isso não fomenta o crescimento. Não correria nenhum risco em afirmar que as relações mais fortes são aquelas que tiveram a oportunidade de passar pelas mais duras provas. Tanto quanto mais amadurecidos são aqueles que passaram pelos mais duros combates.
Isso nos leva a rever o que realmente é mais importante nos projetos: Será que o importante é o fim? Se voltarmos nossos olhos apenas para o fim, o percurso como sempre é, passa a ser sempre obstáculo. Se mudarmos nosso olhar para a vivacidade do percurso e o percebermos com um modo de aproveitar todas as oportunidades de crescimento que o mesmo pode proporcionar, o fim será recoberto de uma camada adicional de importância, mas o percurso assumirá seu devido posto de primeiro lugar em importância não apenas nos projetos, mas na vida como um todo.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Como voce lida com a competitividade?

 Competitividade é coisa séria! Nos esportes, tanto quanto no mundo corporativo esta é uma prática a que muitos recorrem. O cotidiano nos demonstra que determinadas posturas do esporte se replicam em outros vários ambientes. Vamos ao melhor estilo Lula fazer analogias com o futebol. Algumas pessoas usam do expediente de ficar agachado, reclamando daquela dor na perna fingindo contusão, escondidinhos no meio de campo, enquanto touceiras de grama estão saindo de sua defesa ante ao risco iminente de gol do adversário. Quando uma bola espirrada qualquer aparece no meio de campo, a dor na perna subitamente pára e num piquezinho aparece o gajo frente a frente com o goleiro adversário para marcar e se sentir o máximo. Quando isso ocorre contra um adversário é uma prática interessante. Mas no mundo corporativo a gente joga no mesmo time! Ao menos deveria ser assim! Enquanto o trabalho está comendo solto, tem gente se fingindo de morto, mas na hora de marcar o gol o camarada da um piquezinho e aparece na frente da área, que dizer do chefe, e mais rápido que o adversário, (ops!) quer dizer de seu companheiro de equipe e o põe a par de toda a situação, quer seja boa ou ruim, marca o gol e sai correndo ganhar os apupos da torcida.
           
Este tipo de procedimento é comum, tanto quanto os retranqueiros, os que fazem gols de mão, os que só dão de bico para fora, entre tantos outros estereótipos análogos e não queremos aqui apenas criticar estas posturas como sendo execráveis, embora o sejam. O problema é mais embaixo. Em verdade, ainda não sabemos lidar com a competitividade, melhor, não aprendemos a lidar com a derrota, com o erro, com o debate, com aquilo que não fazemos bem. Não temos maturidade emocional para lidar com certas situações, não temos confiança em nossa competência para dizer de modo claro: isso eu tenho competência para executar ou não, com a mesma tranqüilidade! A perspectiva de derrota nos amedronta. Estar errado tem sabor de três a zero para o adversário em plena final de campeonato. Esse tipo de sentimento na é privilégio de empregados subalternos. Pelo contrário! Conheci gerentes e até diretores de grandes empresas que eram sistematicamente assaltados por esse medo doentio de que algo não desse certo, como se estivesse em jogo a extinção da raça humana. Ou pior, o emprego dele! Não aprendemos a lidar com inseguranças, medos ou preocupações e colocamos em prática, atitudes que não gostaríamos que contassem aos nossos filhos, ou transformamos isso em algum tipo de esperteza que se torna ganho competitivo, justificando que qualquer um agiria assim como voce nas mesmas circunstâncias, sendo taxado de bobo aquele que assim não o fizer.
            Verdadeiro é que grande parte das vezes agimos mal apenas para consertar situações que poderiam perfeitamente ser evitadas se estivéssemos um pouco mais conscientes em nossa atividade diária e nos livrássemos de determinados monstros que nós mesmos criamos. A maior parte do tempo, corremos como se estivéssemos fugindo de nós mesmos, corremos, corremos e tudo se torna urgente sem o menor sentido para que o seja. Em outros momentos ficamos lerdos e desleixados de nós mesmos, sem dedicar o zelo que seria necessário.  O fato é que quase sempre o fazemos sem consciência, atendendo mais a demandas externas ditadas pelas circunstâncias e menos a nossa demanda interna de opção consciente e com um propósito específico traçado de modo autônomo. Vemos-nos correndo, como cachorro, atrás do próprio rabo, sem saber o que fazer e as demandas externas se sucedem sem sentido nem motivo, absorvendo nossas ações e drenando nossa paz. Devemos ter, de modo consciente, claramente do que somos capazes e sistematicamente agir no sentido de superar nossos limites, sobretudo aqueles que nos amedrontam, pois só assim poderemos crescer. De nada adianta ficar só na banheira aguardando a bola no pé.   Devemos nos apropriar de nosso progresso e não aguardar que alguém nos dê ordem para que tal aconteça. O medo, a raiva e a preocupação somente nos assaltam quando estamos fora do controle. Quando já deveríamos estar no comando e não estamos. No comando de nossas emoções. Tudo bem, voce ainda não sabe como fazer isso.  Ninguém nasceu sabendo, mas já é hora de aprender.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Homem: Potencialidade e efetividade.

A partir do momento em que o “ser humano civilizado” travou contato com as ditas comunidades “primitivas” que viviam sem roupas, comiam carne crua e muitas até carne humana, surgiu a dúvida: o que distingue o homem do animal? Esses povos primitivos tinham determinados comportamentos tidos como animalescos, contudo, outros eram bastante humanos. Ao nos depararmos com esse dilema sobre o que define o homem, muitos lançaram suas hipóteses. Uns naufragaram na nau da mesmice outros naufragaram na nau da soberba. Fato é que após Darwim a nocão de homem ficou em suspenso - sem culpa nenhuma do próprio Darwin - e temos somente pequenos ensaios.
Arrisco-me agora a propor um critério: a gentileza indistinta! O Mundo contemporâneo nos instiga a competitividade, mas para que? O mesmo mundo contemporâneo se envaidece de sua praticidade. Tudo tem um propósito, é prático, mas qual é o objetivo da competitividade? Que se coloquem inúmeras teorias para responder essa pergunta o que mais salta a vista é o lado prático da competitividade. Na pratica competitividade gera um ganhador e uma horda de aborrecidos prontos a conspirar contra o ganhador somente para que este não ganhe novamente. Caso o conluio seja bem sucedido, teremos os primeiros derrotados novamente se acotovelando para ocupar a vacância do primeiro lugar. Ai o círculo se fecha e o embate volta ao seu inicio: um vitorioso e um monte de derrotados. Atitude típica de animais para ver quem será o “macho alfa”. Aquele que ficará com as fêmeas (ou machos) do grupo; que ficará com a maior fatia do alimento ($) deixando o “resto” aos derrotados.
Existe, contudo uma potencialidade dentro do ser humano: a gentileza! Todavia, conhecemos muito pouco dessa potencialidade. Traduzimos gentileza em ceder o lugar; ou em expressões do tipo “obrigado”; “por favor”; mas isso são apenas pequenas pistas do que realmente é gentileza. Em tempos de vacas gordas todos são amigos. Choppinho no bar da moda; disputa para ver que saca mais rápido o cartão de crédito para fazer bonito... O problema surge quando as vacas estão caminhando ordeiramente para o mais profundo brejo! Não há saída! Precisamos salvar nossa pele! É nesse momento que o “animal” aparece!
Falando francamente: quantas vezes você realmente teve que salvar sua pele (realmente e não metaforicamente)? Ocorre quase sempre uma pequena confusão entre a realidade e a metáfora. Agimos como se estivéssemos salvando nossa própria pele - coisa de vida ou morte -, quando ela realmente não está em risco! Apenas nossos medos trouxeram à tona uma animalidade irracional e que nos fez agir de modo estúpido. Sim estúpido, pois se nossa ação tivesse algum tipo de respaldo do instinto que nos obriga a agir imediatamente frente a um perigo real estaríamos por ele respaldados. Contudo, foi somente uma resposta impensada e irrefletida: estúpida!
Confine um bom tanto de pessoas em um dos nossos famosos “Big brother’s” e veremos vários gestos puramente animais. Todos querendo salvar a própria pele! (R$1.500.000,00).
Gentileza é enxergar através de toda essa animalidade. É ver que por traz dessas atitudes ferozes e selvagens existem seres humanos! Gentileza é ter a nítida compreensão de que não há nenhum risco de morte iminente e que podemos escolher se vamos nos portar como animais ou como seres humanos. A gentileza é uma potencialidade, mas ela fica em segundo plano, pois a visão que vulgarmente temos do mundo é a da competitividade. O mundo se apresenta sempre como um sinal de perigo. O que precisamos afastar é essa visão distorcida do mundo e vê-lo como realmente ele é. Salvo raríssimas exceções o ser humano comum nunca enfrentou um único perigo de vida e morte em toda sua vida que justifique uma atitude com tal grau de animalidade diária.
Torna-se agora uma questão de escolha. Veja o mundo como ele realmente é e não através do espesso filtro dos seus próprios medos. E a gentileza poderá transformar-se em efetividade, mais do que somente um recurso humano armazenado em nossas poeirentas prateleiras de potencialidades genuinamente humanas. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Jadir entrevista na TVORKUT

Olá amigos do blog filosofia nas empresas. Assistam no dia 08/08/2011 a entrevista na TVorkut (http://www.tvorkut.com.br/) Estaremos abordando o tema filosofia nas empresas no programa da Monica Sertã...Espero por todos voces.. e abraço a todos

terça-feira, 19 de julho de 2011

Perseguimos ilusões, colecionamos decepções! - I

Uma das grandes dificuldades que experimentamos em nossa vida é a decepção. Decepção nada mais é do que a obtenção de um resultado que fica muito longe do que esperávamos conseguir. Em sua maciça maioria a dificuldade reside somente na expectativa! Muito mais do que temos consciência, como bem mais do que estaríamos dispostos a admitir, uma grande parcela de nossa vida está encoberta por uma densa névoa de ilusões que transformam muitas de nossas expectativas em coisa totalmente inatingível. O problema é que são ilusões coletivas e sendo assim acreditamos que sejam realidades. Buscamos a tão sonhada felicidade, o bem estar; almejamos o equilíbrio, queremos um relacionamento perfeito; lutamos por justiça, tanto quanto combatemos a violência. Tudo isso parece fazer muito sentido para a grande parte das pessoas, mas tudo isso que acabei de dizer são profundas ilusões!

Buscamos a felicidade a nem sabemos o que ela é, nem como ela é. Muitos crêem tratar-se de ausência de dificuldades. Gostaríamos que nossa vida fosse um eterno amanhecer de primavera. O mundo não é assim! A natureza não é assim e isso não é natural. Quiséramos paralisar os momentos bons, mas eles insistem em ir embora. Contudo, podemos querer parar o que para nós foi uma vitória nem sequer percebendo que o mesmo fato foi para outros tantos derrota. Para esses a paralisação seria cruel!

Buscamos o bem estar, mas não percebemos que muitas vezes o conforto nos aprisiona. Durante séculos a ciência buscou prever os acontecimentos e nos cercar de conforto. Criamos um ambiente aquecido, seco e livre das incertezas da natureza e passamos a admirar os encantos da natureza pela televisão. Não percebemos que todo o conforto transformou-se para a maioria em confinamento.

Buscamos o equilíbrio sem nem sequer entendermos que equilíbrio é mais que uma palavra ingênua é uma atitude perigosa! Sim! Para ir até algum lugar precisamos andar e andar nada mais é do que uma sucessão de desequilíbrios e reequilíbrios. O equilíbrio mesmo, nos mantém parados. Só ficamos em equilíbrio quando estamos parados! Muitos dirão: mas não é esse tipo de equilíbrio que estou falando. Respondo: Sempre que estamos falando em equilíbrio, por exigência da coerência até inconsciente da palavra com a atitude que ela encerra ou temos paralisia ou desequilíbrios e posteriores reequilíbrios.

Queremos um relacionamento perfeito e logo imaginamos tratar-se de o outro tolerar minhas falhas, de ouvir pacientemente minhas queixas sem se queixar delas. Peraí! Isso beira a loucura! Não sei quem inventou essa coisa de relacionamento, mas quando o fez, fez um negocio bem direitinho. Nossas maiores dificuldades, nossas maiores resistências, nossos maiores abacaxis vem à tona e aparecem mais claramente nos nossos relacionamentos mais caros. A pessoa que amamos também é a pessoa que mais conhece nossas falhas bem como nossas fragilidades e usa deliberadamente cada uma delas. O que seria muito cruel se no fundinho não fosse feito (com ou sem consciência) para o nosso bem. Por outro lado foi colocado dentro de nosso coração um grande amor por essa pessoa e nela por nós. Não fosse por esse motivo e seria apenas guerra.  Não fui eu que fiz assim, mas qualquer um que prestar um pouco de atenção verá que: Todo relacionamento pressupõe conflito! Harmonia nos relacionamentos como a maioria imagina não existe e não pode existir. O oposto do amor é a indiferença completa e não o ódio. Ódio é somente o outro lado da mesma moeda.   

Lutamos por justiça sem perceber que esse é um dos maiores absurdos lógicos. Somos todos iguais perante a lei! Certo? Isso quer dizer que mesmo sendo cada um de nós indivíduos totalmente diferentes uns dos outros sobre quase todos os aspectos, a lei nos exige a mesma conduta. Justo é o que se ajusta, o que se amolda a cada indivíduo, mas a lei é manequim 44. Para uns ficará apertado, para outros largo demais. Onde está a justiça disso? A lei da natureza sim. O sol joga seus raios sobre nós do mesmo modo e cada um que reaja a ele ao seu modo. Ele se ajusta e não nos pede para agirmos de um modo ou de outro. Seus raios se ajustam a nós e não nos pedem a mesma resposta. Cada um que responda ao seu modo.

Temos de combater a violência! Essa é sem dúvida a minha preferida. Como se combate a violência se não produzindo mais violência. Dirão: não é bem isso, nos reprimimos a violência! Com mais violência? Mas como tratar então com esses bandidos? Será que são “bandidos” ou apenas deserdados sociais? Não seria preciso caridade se todos tivessem oportunidades que a eles se adequassem!

Ficamos hoje por aqui, mas queríamos antes ressaltar que precisamos rever alguns conceitos para verificarmos e atestarmos sua real validade. Sem o que estaremos agindo e perseguindo apenas palavras, miragens de idéias.   

terça-feira, 12 de julho de 2011

Filosofia nas empresas. Um sonho que pode ser global!

Há muito venho pensando o quanto pode ser interessante que as empresas tenham em seus quadros de colaboradores filósofos, sociólogos, antropólogos, e ainda psicólogos, não apenas no que se refere a treinamentos ou recrutamentos. Mais ainda, que estes profissionais se disponham a pensar em como seus conhecimentos podem se tornar não apenas úteis, mas transformadores, evolutivos para o mundo corporativo. Durante muito tempo acreditei ser um lobo solitário nessa empreitada. Contudo, vejo que esse blog vem recebendo visitas recorrentes de diversas partes não só do Brasil, mas de várias partes do globo. Isso, muito me enche de orgulho na mesma medida em que me recobre de responsabilidade. Sei que o mundo corporativo não é afeito a brincadeiras, tampouco a amadorismos. Por isso gostaria de conclamar aos leitores ao debate, ao fomento de novas idéias e novas perspectivas, pois creio que todos nós temos a ganhar. Você que visita o blog filosofia nas empresas e lê as postagens. Faça sua crítica, menos pela quantidade de postagens, pois não sou blogueiro profissional, mas apenas alguém que por ter larga vivência no mundo corporativo e por ser filósofo une esses dois conhecimentos no intuito de promover algo melhor não apenas para as empresas ou seus acionistas, mas, sobretudo para o ser humano que vive por traz ou na frente de todo projeto, de todo produto, de toda campanha de marketing... Voce que nos lê da Rússia, dos Estados Unidos, Canadá, China, Holanda, Alemanha, França, Lituânia, Polônia, Portugal, Angola, Irã, Israel, Malásia e claro do Brasil, deixe seu comentário, sua contribuição, sua objeção, sua crítica, sua pergunta. Sei que o blogspot exige que você se cadastre e tudo mais. Caso tenha alguma dificuldade mande seu comentário para meu email pessoal jadirmg@yahoo.com.br  terei prazer em interagir com todos vocês. Muito obrigado por todos que fazem suas visitas recorrentes. Meus sinceros pedidos de desculpas pelo hiato de tempo entre as postagens, mas a contribuição de poucos pode produzir benefícios para todos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Darwinismo corporativo!

Dia desses recebi uma queixa que é bastante usual e por esse motivo resolvi falar um pouco a respeito. Trata-se de um engano bastante comum e que nos consome em demasia, minando nossas esperanças e configurando a realidade de um modo bastante sombrio.  A dificuldade é que não se trata apenas um engano, mas, sim três, o que deve demandar algumas linhas mais do que estamos habituados a ler na internet. Contudo, embora sejam dificuldades distintas andam quase sempre de mãos dadas. Vou tratá-las uma a uma e no final tentarei agrupá-las. Bom, primeiro vamos à queixa. Uma amiga encontrava-se bastante triste e decepcionada (palavras dela) com a conduta de alguns parceiros de negócio. Eram parceiros antigos e que ela já havia defendido e se empenhado em prol deles noutras ocasiões. Viu-se traída pela conduta dos parceiros e isso provocou, primeiro uma grande tristeza, depois se transformou ou acumulou-se em raiva e finalmente em desesperança na “humanidade”.

Vamos ao primeiro dos enganos: em muitas ocasiões agimos para com os outros do mesmo modo como gostaríamos que os outros agissem conosco. Atitude bastante comum e bem bacana para balizar nossa conduta. Ocorre que só nós sabíamos disso! Só nós sabíamos qual era o motor daquela nossa ação. Que nela depositávamos uma determinada expectativa de que o outro agisse conosco em determinado momento de tal ou tal modo. Para nós isso era bastante claro, mas para o outro certamente não. Fundamentados em nossas crenças e agindo em consonância com elas, criamos um conjunto de critérios que nos separam em certo e errado algumas condutas. Mas corremos o risco em muitas ocasiões de fantasiar e de confiar mais em nossas fantasias do que na própria realidade. Afinal das contas são nossas crenças de certo e errado e com isso criamos algumas ilusões que nem todos compartilham.
Só isso não tem a capacidade de arrefecer a decepção que o outro nos causou. Todavia, é importante saber que fomos nós que criamos as expectativas. Não foi o outro que nos frustrou. Foi somente nossa expectativa irreal. O erro maior foi nosso.

Vamos para o segundo dos enganos: Uma das faculdades que mais utilizamos em nossa inteligência é a faculdade de generalização. Das experiências de nosso cotidiano pegamos algumas similaridades costuramos a partir delas e criamos arbitrariamente uma experiência geral. Isso é bastante benéfico para nossa vida prática. Contudo, na medida em que ligamos as ações das pessoas às nossas frustrações isso nos leva a um grau de desesperança que se estende para todos os seres humanos. Podemos até enevoar nossa visão sobre o mundo e sobre as pessoas que passamos pela rua e acreditar que toda a raça humana está perdida. Ocorre que tanto no primeiro engano quanto no segundo fomos nós que efetuamos as associações. Criamos as expectativas e a conduta do outro não correspondeu ao que esperávamos. Generalizamos nossas frustrações e nos desencantamos com a humanidade!

Tudo bem, resta ainda a conduta do outro que não se adequou ao que acreditávamos fosse correto. Aqui temos o engano do outro, mas esse sim é um engano mais geral do que se pensa e nosso também. Disse em uma postagem anterior que em geral não nos damos conta de que uma determinada corrente filosófica exerce influência sobre o modo como vemos o mundo. Pois bem, existe na maioria de nós uma dessas influências que pouco nos damos conta. A idéia de evolução proposta por Darwin chegou até nós por intermédio da cultura pragmática utilitarista americana. Nosso cotidiano está profundamente impregnado dessas idéias, mas elas foram corrompidas com o tempo. Temos hoje uma conduta fruto de uma adesão a um sistema filosófico corrompido. Na verdade é uma conduta irrefletida, que se deu, muito mais a partir de aprovações ou reprovações sociais. Chega-nos apenas por sua camada mais exterior, já cristalizada e menos na validade dos conceitos. A idéia de seleção natural transposta indevidamente para outras paragens deu luz a uma idéia de darwinismo social. Agimos muito em nossa vida sob a justificativa de preservação da espécie. No darwinismo o mais adaptado tem melhores chances. Traduzimos isso para: o mais forte vence e seu oposto lógico o mais fraco desaparece, é eliminado. Convenhamos, pouquíssimas são as ocasiões em que estamos lutando, de fato, por nossa sobrevivência. Contudo, essa idéia permeia nosso imaginário mais do que deveria. Podemos verificar a afirmação em algumas de nossas expressões mais corriqueiras: “vamos à luta!” ; “quem pode mais chora menos” entre outras tantas. No mundo corporativo isso e bastante usual. Se você, em determinado momento questiona a decisão de algum superior é muito mais fácil ele se sentir ameaçado do que reconhecer seu erro. É muito mais fácil ele arrumar um modo de demitir quem colocou sua decisão em questão do que perceber nessa pessoa alguém que pode somar com uma visão diferente da sua. As divergências são eliminadas e não superadas. Quando questionados muitos se vêem em risco. Fragilizados desaparecerão! O mais fraco é eliminado! É por isso que é muito mais fácil verificar atitudes de força quando nos vemos fragilizados. A competitividade, tão fomentada no mundo dos negócios produz hoje muito mais malefícios do que benefícios. Sobretudo quando transposta, como quase sempre é, para as equipes em seus projetos. Concorremos com o outro e quando nos vemos em desvantagem, isto é, não conseguiremos vencer, ainda nos resta fazer com que o outro também não vença. Fazemos isso sem pensar, parece que é algo natural quando é somente uma cristalização de uma conduta que teve seu sentido em determinadas circunstâncias e acabou por ser generalizada erroneamente. Um modo bem sucedido de se portar perante a vida acabou por se transformar no modo “correto” de se portar.
Não quero me estender mais. Então vamos ficar por aqui. Espero que tenha muita objeção para que possa elaborar melhor as idéias. 

quinta-feira, 17 de março de 2011

O Sonho! Resposta à um leitor!

Um leitor do blog mandou-me um e-mail com o seguinte teor: 

Olá Jadir,
desculpe, mas li seu blog e tomei a liberdade de escrever para o senhor. Meu nome é Ludwig Teixeira, tenho 27 anos e sou filósofo. Faço doutorado na Universidade [...] Porém, fato é que estou em uma encruzilhada, pois, não aguento mais passar trabalho e me sentir menor que muitos outros a custo de meu amor pela disciplina. Passo muito tempo estudando assuntos altamente abstratos para ter um retorno, a nível de qualidade de vida, muito pequeno. Nessa última semana estive pensando em jogar tudo para o alto e fazer um famoso 'concurso público'. Pensei: Veja só o que tenho estudado... teoria dos conjuntos, lógica de primeira ordem, filosofia da física quântica... se eu estudar para um concurso certamente encontrarei menor dificuldade e vou passar".
Mas é muito triste jogar um sonho fora e, o que é pior, oito anos de sua vida fora. Assim, encarecidamente, peço-lhe algum conselho quanto a estratégia de vida profissional. O que faria você no meu lugar?

Espero que o senhor tenha tempo para responder.

Att

Ludwig

(Claro que o nome dele não é Ludwig e a postagem foi autorizada por ele) 

Minha resposta:

Oi Ludwig,
Recomendo ambos. Por nada menos do que voce me perguntou. Os blogs são frutos de sonho. Não dão resultado prático algum. Mas em ambos tenho visitas recorrentes de vários pontos do Brasil e de muitos outros pontos do mundo inteiro.
Nos vivemos em uma sociedade que preconiza o sucesso e não percebe que sucesso é somente repetição do passado sem novidade. Ja ouvi dizerem que as empresas estão preferindo profissionais criativos. Os meus 33 anos trabalhando em empresas me dizem que isso em geral é balela. As empresas querem profissionais que usem a criatividade para resolver problemas antigos e recorrentes. Usem a criatividade para termos maior lucratividade e redução de custos. Estão pouco se lixando para a criatividade mesmo.

As faculdades, pelo que sei querem professores que se dediquem e que nenhum aluno se queixe de suas aulas, notas, e provas.

Não é bem por ai também.

Temos duas vias claras a escolher e uma obscura: a primeira é prática. estudar o que querem que voce estude e fazer o que te mandam e ganhar o que te pagam e ficar de boca fechada. Claro, isso não te dá barato. Voce acaba por viver a vida dos outros.

A segunda é o concurso público. Não sou totalmente contra essa alternativa, embora ao longo da minha vida tenha sentido enorme repulsa, hoje ja vejo com outros olhos, mas o mais importante que eu tenho a te dizer é que voce foi “fisgado pelo sistema”. Voce se queixou da qualidade de vida e esta buscando alternativas dentro do jogo para fugir do que ele tem de ruim. Concurso público, visto desse modo, é mero esconderijo.

Essas duas coisas voce deixou claro, mas embora tenha falado com pesar de abandonar o sonho não deixou claro que sonho era?!?.

Esse é o caminho obscuro. Perseguir seu sonho pode não te trazer sucesso, tampouco dinheiro, Muito menos o reconhecimento será certo, mas se voce mata seu sonho voce morre junto com ele. Transforma-se nisso que voce vem execrando. Voce se transforma em competitivo e vive o sonho dos outros.

Podemos ser competitivos durante vários anos de nossa vida. A juventude nos confere garra disposição, força de trabalho. Voce ganha, dinheiro, sucesso reconhecimento, fica por cima. Quando os anos chegam voce percebe duas coisas: que não é mais tão competitivo e te resta a trapaça para ganhar (uma quantidade enorme de pessoas usam esse método), e que abandonou a única coisa que valia o esforço para competir: o sonho!

Eu trabalhei 33 anos dentro de grandes empresas. Tive sucesso, ganhei dinheiro, e deixei tudo isso por um sonho. Fui fazer graduação em filosofia aos 43 anos. Estou terminando o mestrado agora com 48. Certamente vou para o doutorado, mas embora tenha sido seduzido a estudar inúmeros outros autores. Fiz questão de abordar em minha dissertação algo que pudesse mudar o mundo, algo que me dá profundo gosto de estudar.

Sei que vou ter muito trabalho pela frente mas como estou em "começo de carreira"  tenho bastante garra para levar todas as pancadas que sei que vou tomar.

O blog do fraternalismo é um tiro no meu próprio pé. Sei que se meu nome ficar ligado a esses pensamentos não arrumo trabalho em lugar algum. É o preço a pagar por meus sonhos.

Crescemos todo o tempo vendo todos ao nosso redor fazendo de tudo para vencer, para ficar bem, ter bem estar e acreditamos que a vida é isso.
Quando acontece um desastre, uma doença, um desemprego somos levados a acreditar que foi azar ou incompetência nossa.

Errado. A vida é assim, é dura! Mas ela só é assim pois a dureza é nosso melhor professor. Temos a escolha de nos deixar endurecidos ou não. Se nossos sonhos esmorecem ante a dureza eram apenas sonhos, brincadeiras. Se nos cobrem de raiva, de força, mas também de esperança então o sonho te abençoa com a realização, pode não te trazer dinheiro, fama ou sucesso, mas vai dar profundo sentido para a sua vida.

Pelo pouco tempo que tenho dentro do campo da filosofia. Vejo alguns tipos de filósofos. Os práticos. Que têm na filosofia seu ganha pão e só isso. Ganhem bem ou não. Os Desiludidos (esses são os piores) tipo os ressentidos de Nietzsche. Estufam o peito e se dizem ateus convictos, mas apenas por saberem que estavam na "caverna" e viram que tudo não passava de uma farsa. Voltam para a caverna e cospem por todos os lados. Desdenhando de tudo e de todos tapam a porta da caverrna para que ninguém saiba onde é a saida.  

E os como eu que vêem na filosofia um instrumento profundo de mudanças. Que as mudanças que os filosofos promoveram no mundo tenham em geral ocorrido sempre após sua morte é desalentador, mas eu tenho a sorte de ter em mãos também a Programação neurolinguistica que é uma ferramenta bastante prática de mudança.

Minha tarefa é bastante cruel e certamente não espero reconhecimento, pelo contrário, acho até estranho ter tantos amigos e poucos desafetos. Eu sou aquele cara que vai apontar as coisas erradas, que vai revelar as hipocrisias. Que vai mostrar a meia furada,  o terno rasgado. A etiqueta chinesa da gravata de sêda.

Mas meu trabalho não é so mostrar o erro, mas apontar a direção.

Pode ser desalentador olhar ao redor e ver uma profunda crueldade, mas essa crueldade é fruto da ação de pessoas que mataram seus sonhos e por isso mesmo já morreram.

Meu trabalho é ressucitar pessoas através da ressureição de seus próprios sonhos.

Desculpe, se voce queria de mim uma dica ou um truque sobre como vencer na vida e ter uma carreira de sucesso, deve estar profundamente frustrado.

Mas eu fiz meu trabaho. Se um dia em sua vida seu sonho falar baixinho dentro de seu peito amargurado. Voce não vai poder alegar que não sabia que estava matando seu sonho.

O sonho faz voce viver apaxonado.

Já tive sua idade e hoje tenho quase o dobro dela, se uma virtude eu tenho foi a de não me deixar sufocar meu sonho.

Passo nesse momento por dificuldades extremas, mas não abro mão de amar, e de estar profundamente apaixonado pela vida.

Por favor

gostaria de seus comentários tanto por e-mail quanto no blog.

Grande abraço.

Jadir

quarta-feira, 9 de março de 2011

Homem e sociedade!

Abelhas, formigas e outros animais vivem em sociedade. Se entre alguns mamíferos nossa ciência constatou uma organização social que gira em torno do macho alfa a sociedade das abelhas tanto quanto a das formigas gira ao redor da rainha. Há pouca mobilidade de castas entre as sociedades animais, senão nenhuma. Entre os mamíferos qualquer macho pode desafiar o alfa e se assim for sucedê-lo. Ainda que existam diferenças de modelo entre sociedades animais o que não falta a nenhuma delas é a cooperação. A competição somente se dá na sucessão de poder, no restante é cooperação. Ai reside uma diferença muito básica entre a sociedade humana e a animal. Enquanto em sociedades animais as relações são naturais, na sociedade humana ela é cultural. Nossa cultura nos moldes atuais estimula a competição e tem como justificativa que a competição gera darwinianamente evolução. A meu ver isso é só justificativa ideológica. Hoje em dia é comum as empresas solicitarem aos seus headhunters profissionais criativos. No fundo isso é uma balela. O que as empresas querem realmente são pessoas que saibam usar da criatividade para resolver os mesmos problemas antigos. E convenhamos criatividade, se bem utilizada é para propor novidade e não modos de resolver problemas antigos. A competição gera para empresas profissionais ´adaptados´ ao mundo corporativo. 

Pessoas que sabem adaptar-se ao jogo do mundo corporativo. Honestamente, pessoas realmente criativas não são bem vindas. Elas vão propor mudanças no jogo, mudanças evolutivas, mas talvez não competitivas. Mudança evolutiva na maior parte das vezes exigirá investimento, mudanças de postura, mudanças no jogo do poder e isso é ruína para quem está no poder. Mudanças evolutivas, nem sempre são num primeiro instante lucrativas embora possam produzir grandes benefícios para a sociedade podem não produzir para o empresário. Ao menos não ao empresário que visa o lucro e não o objetivo social. Toda empresa, em tese, deveria cumprir um papel social. Cooperar para o beneficio da sociedade, mas nossa cultura fomenta a competição e o lucro. A vantagem competitiva. O problema é que nessa cultura o sucesso é feito de vitória e a vitória pressupõe derrotados, todos os outros. Uma hora ou outra você será o derrotado. Estão todos buscando a vitória e o sucesso, mas esse jogo necessita de fracassados em maior número, para que poucos vençam. Não faz o menor sentido, ao menos para esse jogo, que todos vençam!

Por outro lado sabemos que isso não é natural, mas cultural. E cultura é forjada pelo próprio ser humano. Quanto mais cedo as empresas descobrirem o jogo da cooperação, menor será o risco de ser derrotada. Na cooperação não há derrotados. Na cooperação todos saem ganhando. Isso pode ser difícil de aceitar para quem está ganhando ou quem esta quase chegando lá, mas o fracasso é inevitável, é matemático. Enquanto só você e alguns poucos pagos por você estão lutando pela sua vitória, pelo seu sucesso. Todos os outros estão lutando pelo seu fracasso. Isto é pelo seu próprio sucesso pessoal que pressupõe fracasso do outro (e este é você).
E olhe que nem sempre sucesso significa sucesso mesmo. Vejam a situação da história recente dos Estados Unidos: Vários banqueiros lucraram horrores com a inadimplência nas hipotecas. Embolsaram tudo o que havia sido pago pelos hipotecados e ainda se tornaram donos de uma porção de casas. Bairros inteiros! E uma porção de gente morando em barracas de camping, sem trabalho, sem como pagar suas hipotecas. Todavia, os vitoriosos ficaram com um baita mico na mão. Um monte de imóveis e ninguém que pudesse pagar por eles. Claro que essa visão precisaria ser analisada em maiores detalhes que não cabem num pequeno post, mas o mundo todo perdeu horrores, por conta de uns poucos vitoriosos que nem puderam gozar de sua própria vitoria. Grosso modo a crise recente dos Estados Unidos aconteceu desse modo.
Por outro lado observamos à todo instante iniciativas sociais que fomentam, as cooperativas em pequenas comunidades e essas comunidades prosperam. Todos juntos!

O objetivo final desse post é só lançar uma ideia que nem é nova. Não é responder nada, mas de deixar uma pergunta no ar: Estamos satisfeitos com o estilo de sociedade forjada por nossa cultura? A sorte é que se trata de cultura e se a resposta for negativa podemos começar o processo de transformação de nossa cultura, assim que nos dermos conta do que queremos para nós. Para tanto precisamos ver o que queremos: competição ou cooperação?   

terça-feira, 8 de março de 2011

Não basta ser competitivo! II

Ressaltamos no post anterior a importância de se cultivar a sensibilidade social, mas não explicamos como isso pode ser feito. Neste post ainda não falaremos o que pode ser feito, mas queremos observar dois cases do que NÃO deve ser feito.

Dissemos também da importância da definição da visão, missão e valores. Muito bem, gostaríamos de expor sem dar nomes aos bois um caso que considero emblemático.  Cerca de uns dez anos atrás li a declaração de visão e missão de uma grande empresa. Estava escrita em relevo sobre grandes totens de grosso metal afixados no hall de todos os andares da empresa. Esteticamente eram lindos e imponentes. Grande trabalho de endomarketing. Contudo, o trabalho continha algumas ciladas. Se bem me recordo, na visão da empresa tinha algo como “...ser reconhecida como a melhor...”. Eis ai uma profunda falta de sensibilidade social. Equivoco número um: Ora o que teria a capacidade de fazer um colaborador se empenhar para que sua empresa fosse reconhecida como a melhor? Vamos mudar de panorama para ficar mais didático. Imagine que eu sou gerente e diga para minha equipe que tenho por objetivo ser reconhecido como o melhor gerente da empresa. O que faria você se empenhar nessa empreitada? Caso eu de fato seja um gerente bastante humano, sensível você fará isso naturalmente, caso contrário só fará se for bastante bem remunerado. Equivoco numero dois: quando você coloca em seu objetivo “ser reconhecido” você automaticamente retira de suas próprias mãos o sucesso de sua missão. O reconhecimento sempre vem do outro. A evidência de que você atingiu seu objetivo deve contemplar as idiossincrasias de todos os que tem em mãos o desejado reconhecimento. Pronto, você deverá necessariamente dividir sua atividade em ser o melhor e em buscar o reconhecimento. Enquanto estiver dedicando-se a ser o melhor não estará buscando reconhecimento e, por outro lado, se estiver dedicando seu tempo em ganhar o reconhecimento pode estar diminuindo seu esforço em ser o melhor. De qualquer modo você estará dividido e nunca saberá com quais critérios será avaliado.
Ao ler esse texto conclui que essa empresa não teria mais de dez anos de vida. Dei dez anos, pois era uma grande empresa filha dileta de outras empresas também grandes. Dito e feito. Hoje ela ainda existe, mas não passa de um mero apêndice de um de seus genitores sem o mesmo brilho vaidoso de outrora.
De prático o que ocorria nessa empresa, embora quase nenhum colaborador soubesse conscientemente o que estava escrito nos totens, é que todos os colaboradores buscavam em suas atividades o tempo todo ser melhor que o outro e ganhar reconhecimento de todos. A grande busca de cada uma das pessoas era sempre fruto internalização do egoísmo institucionalizado. Cada um por seu turno trazia em suas ações diárias a busca incessante e inquietante por ser reconhecido como o melhor.  

O segundo case que gostaria de trazer ocorreu em outra empresa. Uma quantidade considerável de profissionais estava já há cerca de seis meses, trabalhando quase todos os finais de semana para conseguir atender à implantação de um grande cliente. Internamente sabia-se que algumas pessoas estavam passando por sérios problemas de relacionamento afetivo, devido a distância do convívio familiar que o esforço adicional exigia de.
Sabia-se também que a relação entre a empresa e o cliente era bastante delicada e o risco de que todo esforço fosse em vão era latente. O que aumentava sobremodo o nível de estresse. Reuniões para descobrir os culpados eram frequentes. Nem seria preciso mencionar que os objetivos pessoais da maioria dos colaboradores tinham sido postergados ou, no mínimo, passados para segundo plano.

Num determinado dia qualquer o “presidente da empresa” convoca a todos para um comunicado. Todos os colaboradores envolvidos no projeto iriam parar suas atividades para ouvir ao pronunciamento do presidente. Ao seu lado um dos representantes do tal cliente: O suspense paira no ar: o que será anunciado?

De dentro de uma bela caixinha o presidente retira um pequeno cartão plástico, fruto de uma das simulações do projeto. E diz que aquilo era o resultado de tanto esforço e empenho dos colaboradores. O que o presidente apontava era para um sucesso! Simulado, mas um sucesso! Sabia-se que muito fora “mascarado” para se atingir esse sucesso e que o resultado final ainda estava longe. Mas esse não é o caso. O nosso personagem em questão colocou no pequeno pedaço de plástico de mentirinha o ícone do sucesso.

O que ficou patente no semblante das pessoas naquele instante foi que o hercúleo esforço que tanto custara às famílias e a saúde dos colaboradores resumia-se a apenas um pequeno pedaço de plástico de mentirinha. Não se pensou, ou ao menos não se disse que por trás daquele plástico havia uma promessa de estabilidade para os próximos anos. Que tudo aquilo representava uma oportunidade de crescimento profissional que seria futuramente recompensada ou qualquer outra coisa mais nobre.

O que ficou claro é que todo o esforço resumiu-se a um plástico sem valor algum! Resumo da ópera: baixou ainda mais o moral da equipe, muitos como eu foram buscar novos “desafios” se é que me entendem.

Digo novamente. Não basta ser competitivo. É preciso ter sensibilidade social!   

Jadir Mauro Galvão

Não basta ser competitivo! - I

Estamos vivendo uma época chamada de Nova era ou era de Aquário. Respira-se em todos os cantos ares esotéricos. Empresas buscando auxilio no Feng Shui, salas de descompressão com música new age, incenso, sons de fonte, tudo para adequar o clima!
Por outro lado, nas conversas do cafezinho assuntos escatológicos: calendário Maia, terremotos, chuvas como nunca se viu e uma porção de outras coisas que dependendo de como se olha pode causar calafrios até nos mais céticos. Não é nosso intuito fazer quaisquer julgamentos, estamos apenas constatando o que está à nossa volta. O que vamos discutir nesse post é outra mudança alardeada na nova era: Revisão de valores e de postura e tomada de consciência!

Por todos os lados somos solicitados a rever nossa postura perante a vida. Rever os valores que até então guiaram nossas mais freqüentes ações. Até nossa avaliação sobre nossos pares, gerentes, diretores, fornecedores, subordinados estão fadadas a transmutação. Embora a divisão do trabalho possa, em geral, nos retirar a visão do todo de nossa atividade produtiva, o profissional sabe, senão racionalmente ao menos intuitivamente, qual o valor do seu trabalho para a sociedade. É patente a dificuldade de motivação em trabalhadores de empresas que tem seu negócio girando em torno do dinheiro, como bancos, cartões de crédito e congêneres. Essa falta de motivação deve-se, à seguinte questão formulada mesmo que de modo inconsciente por cada colaborador: Qual o valor que meu trabalho agrega à sociedade? Podemos utilizar de modo bastante criativo nossa imaginação para dar as mais inusitadas respostas para essa pergunta, mas a rigor não há uma resposta sequer capaz de motivar um colaborador a doar-se senão pela sua remuneração. Encontrado o primeiro ponto crítico!

O segundo ponto crítico e que atinge não somente uma fatia de empresas, mas todas elas, é seu papel social. Toda empresa precisa ter por escrito o seu objetivo social. Virou moda para muitas empresas definir visão, missão da empresa, valores, mas honestamente o que vemos é algo bastante incipiente. Tendo muito conhecimento e mesmo paixão sobre o assunto, confesso que apenas uma única empresa fez um trabalho digno de nota. O restante não passava ou de apensa palavras postas em seus meios de comunicação, ou muito pior, faziam emergir condutas desprezíveis por conta de uma missão tanto mal definida tanto quanto mal redigida.

Fato é que não é nem um pouco comum uma empresa ter consciência de seu papel social. Ante à menor crise, ainda hoje tem-se por solução a redução de pessoal. Sem qualquer tipo de critério efetivamente social. Que se leve em consideração vez por outra se o dispensado tem família ou outros critérios muito mais subjetivos. O que conta mesmo é que nessas horas surge a oportunidade de nos livrarmos de desafetos, a oportunidade de justificar um erro administrativo cortando a cabeça de alguém que cometeu um erro. Que se diga que essa conduta é mais fruto de indivíduos que dada sua particularidade não representam efetivamente a empresa, seria até justificável, não fosse esse tipo de conduta ser mais regra do que exceção.

O ponto crítico central é que não se leva, no mais das vezes, em consideração o papel social de uma empresa. E isso se deve ao fato de que efetivamente não se sabe fazer isso. Nunca se soube e nunca houve o interesse nisso. Ocorre que agora numa sociedade conectada cada qual dessas ações reverbera para além das paredes do escritório. Redes sociais trazem a público todo tipo de mazelas e ainda não sabemos que resultados irão proporcionar. Determinados tipos de conduta podem decretar os rumos de um produto ou de uma empresa como nunca antes ocorreu. Não se trata somente de zelar para que as besteiras venham a tona ou ficar de olho nas redes sociais para ver o que estão dizendo. Trata-se de repensar nossa postura, nossa conduta frente às situações.  A tomada de consciência vai ganhar espaço e não mais bastará ser competitiva. Será preciso ter sensibilidade social. Não estamos falando de cultuar uma imagem perante a sociedade, mas ter mais sensibilidade e responsabilidade. Determinadas condutas antes contemporizadas pelo corporativismo e que eram verdadeiras chagas encobertas. Mais cedo ou mais tarde virão à tona.

O que fazer?

Dedicaremos os próximos post’s exatamente a responder essa pergunta.

Jadir Mauro Galvão